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Cruz Vermelha assinala Dia Mundial com apelo à proteção da ação humanitária

A Cruz Vermelha Portuguesa assinala, a 8 de maio, o Dia Mundial da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho com a iluminação simbólica de edifícios e monumentos em 17 localidades do país, associando-se ao apelo internacional do Movimento sob o lema “Unidos na Humanidade”.

A iniciativa decorrerá em Aveiro, Castro Verde, Coimbra, Entradas, Faro, Gondomar, Guimarães, Lisboa, Lourinhã, Montijo, Palmela, Paredes, Porto, Remisquedo, Santa Maria da Feira, Seia, Seixal, Setúbal, Sintra, Torres Vedras, Trofa, Valongo, Vila Nova de Gaia e Vila Real, num gesto público de reconhecimento pelo trabalho humanitário desenvolvido pela Cruz Vermelha e pelos seus voluntários e colaboradores.

A iniciativa deste ano surge num contexto internacional marcado pelo aumento de narrativas desumanizadoras, pela polarização das sociedades e pelo agravamento dos ataques contra trabalhadores humanitários, fatores que, segundo o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, tornam a resposta às populações em crise cada vez mais exigente e perigosa.

Para a Cruz Vermelha Portuguesa, o lema “Unidos na Humanidade” pretende recordar que, perante conflitos, catástrofes, emergências de saúde, deslocações forçadas e crises climáticas, a resposta humanitária começa pela defesa da dignidade humana e pela proximidade às comunidades.

O Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, António Saraiva, considera que a data representa “um momento de reconhecimento e de responsabilidade” para com todos os que atuam no terreno. “A Cruz Vermelha está junto das pessoas nos momentos em que a vulnerabilidade, o medo e a incerteza se tornam mais presentes. Os nossos voluntários e colaboradores não chegam às comunidades como estranhos: fazem parte delas, conhecem os seus rostos, os seus territórios e as suas necessidades”, afirma.

Segundo António Saraiva, a Cruz Vermelha “não atua apenas em defesa das pessoas, mas ao lado delas. Estar unido na humanidade é permanecer quando a crise se prolonga, é escutar quando o sofrimento não tem visibilidade, é agir quando a indiferença parece mais fácil. É esse trabalho discreto, mas essencial, que dá sentido ao Movimento e à sua presença junto das comunidades”.

De acordo com os dados mais recentes da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, o Movimento chegou a cerca de 160 milhões de pessoas em todo o mundo. Desse total, 89,8 milhões receberam apoio nas áreas da saúde e bem-estar, 26,5 milhões em situações de desastre e crise humanitária, 26 milhões em contextos ligados ao clima e ambiente, 16,7 milhões em projetos de inclusão e 11,6 milhões em ações relacionadas com migrantes e refugiados.

O Fundo de Emergência para Resposta a Desastres alocou cerca de 93 milhões de euros, a 167 operações, apoiando 97 Sociedades Nacionais e chegando a mais de 24 milhões de pessoas. Em 77% das alocações, os recursos foram dirigidos a crises relacionadas com fenómenos meteorológicos.

Para António Saraiva, os números demonstram a dimensão global da resposta humanitária, mas também a importância de preservar a dimensão humana da ação da Cruz Vermelha. “Os números ajudam-nos a compreender a escala do Movimento, mas nunca devem esconder o essencial: por detrás de cada operação existe uma pessoa, uma família, uma comunidade. A nossa missão é garantir que a ajuda chega com humanidade, com respeito e com dignidade. É isso que celebramos neste Dia Mundial”, refere.

O Dia Mundial da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é celebrado anualmente a 8 de maio, data do nascimento de Henry Dunant, fundador do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e primeiro laureado com o Prémio Nobel da Paz.

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