O Centro Social do Vale do Homem (CSVH) participou nas “XXIV Xornadas Interdisciplinarias FAGAL 2026”, promovidas pela Federação Alzheimer Galicia (FAGAL), em Pontevedra, um encontro de referência ibérica dedicado à partilha de conhecimento, boas práticas e reflexão sobre os desafios associados às demências e ao envelhecimento.
A presença da Casa da Alegria — estrutura do CSVH especializada em demências — neste evento internacional permitiu o contacto com diferentes experiências e modelos de intervenção desenvolvidos em Portugal e Espanha, reforçando o compromisso da instituição com a inovação, a qualificação técnica e a melhoria contínua das respostas sociais e de saúde.
A Diretora de Serviços do CSVH, Andreia Costa, integrou a mesa inaugural subordinada ao tema “A atención do alzhéimer en Portugal”, onde teve oportunidade de apresentar a realidade da Casa da Alegria no acompanhamento às pessoas com demência, bem como refletir sobre as diferenças existentes entre os sistemas de apoio em Portugal e Espanha.
Durante a sua intervenção, Andreia Costa destacou que, em Espanha, existe uma organização mais estruturada das associações de apoio às demências, frequentemente reunidas em federações e confederações, permitindo uma maior articulação entre entidades.
“Esta articulação fortalece a capacidade de intervenção, inovação e representação na área das demências”, salientou a responsável.
Andreia Costa reforçou ainda a importância de encarar as demências como uma prioridade de saúde pública, alertando para a necessidade de aumentar a consciencialização da sociedade e combater o estigma ainda associado à doença de Alzheimer e a outras formas de demência.
“A demência não faz parte de um envelhecimento normal e continua a existir um grande desconhecimento sobre esta realidade, tanto na sociedade como, muitas vezes, entre profissionais”, afirmou.
A responsável destacou também que “a cada três segundos alguém no mundo desenvolve demência”, lembrando que a doença de Alzheimer e a demência vascular são das formas mais comuns da doença. Explicou ainda que os sintomas tendem a agravar-se progressivamente, interferindo na vida diária das pessoas e podendo levar à perda de autonomia e independência.
Na sua intervenção, sublinhou igualmente a importância do diagnóstico precoce, permitindo uma intervenção mais adequada e uma melhor preparação das famílias e cuidadores para os desafios associados à progressão da doença.
“Apesar de não existir cura para a maioria dos tipos de demência e os tratamentos serem ainda limitados, é fundamental garantir apoio, aconselhamento e informação aos cuidadores. É possível proporcionar qualidade de vida às pessoas com demência através de um acompanhamento adequado e humanizado”, referiu Andreia Costa.
Durante as jornadas foram ainda debatidos temas ligados aos cuidados especializados, inovação social, intervenção centrada na pessoa e desafios futuros no acompanhamento de pessoas com demência e das suas famílias.
Para Andreia Costa, “a participação nestas jornadas foi uma oportunidade muito enriquecedora de aprendizagem, partilha e reflexão conjunta sobre os desafios que as instituições enfrentam diariamente na área das demências”.
A responsável sublinha que “o contacto com diferentes realidades e metodologias de intervenção permite-nos reforçar competências, adquirir novas perspetivas e continuar a apostar numa abordagem cada vez mais humanizada e centrada na pessoa”.
Andreia Costa destaca ainda que “a cooperação entre entidades e a partilha de conhecimento são fundamentais para construir respostas mais inovadoras, sustentáveis e capazes de responder às necessidades das pessoas e das famílias”.
A participação do CSVH contou ainda com a presença de Sandra Cerqueira, Diretora Técnica, e da Enfermeira Sara Sousa, reforçando o envolvimento multidisciplinar da instituição nesta iniciativa internacional.
