Curiosidades

Traições representam quase 70% dos pedidos a detetives privados em Portugal

Quase 7 em cada 10 pedidos feitos a detetives privados em Portugal estão relacionados com suspeitas de traição. Os dados são da Fixando num estudo hoje divulgado e revelam um crescimento da procura por este tipo de serviços num contexto em que redes sociais, telemóveis e investigação digital estão a mudar a atividade.

Nos primeiros meses de 2026, a procura por serviços de investigação privada aumentou 7% face ao mesmo período do ano passado. A Fixando antevê mesmo um crescimento total de 15% até ao final do ano, mantendo-se estável a atual taxa de resposta dos profissionais da área.

Os dados mostram ainda uma melhoria significativa na capacidade de resposta dos investigadores privados: apenas 12% dos pedidos ficaram sem resposta este ano, face aos 24% registados em 2025.

Segundo os dados recolhidos pela Fixando os principais motivos dos pedidos são:

Adultério / traição: 69%
Vigilância: 9%
Procura por pessoas desaparecidas: 8%
Procura de ativos ocultos: 7%

«Hoje há cada vez mais pessoas a procurar confirmação para suspeitas relacionadas com relações pessoais, património ou comportamentos digitais. O telemóvel e as redes sociais passaram também a ser fontes importantes de investigação», afirma Alice Nunes, diretora de novos negócios da Fixando.

Especialistas apontam mudanças no perfil dos clientes e na forma de investigar
Segundo a Detectives Inteligência Privada, apesar de não existir um “perfil típico” de cliente, há padrões recorrentes entre quem procura este tipo de serviço. A maioria dos clientes situa-se entre os 30 e os 60 anos, uma faixa etária frequentemente associada a relações estáveis, património, empresas ou responsabilidades familiares, fatores que aumentam a exposição a conflitos conjugais, societários e jurídicos.

Segundo os profissionais do setor, muitas investigações começam hoje através da análise de redes sociais, padrões digitais e informação pública online. Se anteriormente predominavam métodos tradicionais de vigilância presencial, hoje a investigação OSINT — baseada na recolha e análise de informação pública e digital — assume um papel cada vez mais relevante nas investigações privadas.

«A investigação tornou-se mais tecnológica e estratégica. Atualmente, muitos processos passam pela análise de informação digital e cruzamento de dados públicos, permitindo investigações mais rápidas e detalhadas», referem os profissionais da Detectives Inteligência Privada.

Ainda segundo estes especialistas o aumento da exposição digital e a facilidade de comunicação através de aplicações e redes sociais têm contribuído para o crescimento deste tipo de pedidos.

Estes profissionais alertam ainda para os desafios legais associados à atividade em Portugal. Apesar da crescente procura, a profissão continua sem um enquadramento jurídico específico, ao contrário do que acontece noutros países europeus.

Deixe um comentário