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Theatro Circo é palco para espetáculo do Teatro Experimental do Porto sobre os últimos concertos de José Afonso

A 13 de junho, sábado, às 21 horas, o Theatro Circo recebe o espetáculo “José Afonso, ao vivo nos Coliseus, 1983”, uma encenação de Gonçalo Amorim para o Teatro Experimental do Porto.

Em 1983, José Afonso, já gravemente debilitado pela doença que o levaria à morte quatro anos depois, subiu aos palcos dos coliseus de Lisboa e do Porto para os seus últimos concertos. O concerto de Lisboa, registado pela RTP, tornou-se um marco na memória coletiva portuguesa e foi perpetuado em álbum, filme-concerto e, mais recentemente, numa edição restaurada que recupera quase integralmente o espetáculo.

“José Afonso, ao vivo nos Coliseus, 1983” é um espetáculo multidisciplinar que entrelaça música, teatro, performance e poesia. Conta com direção artística de Gonçalo Amorim, textos originais de Lígia Soares, Marta Figueiredo, Miguel Cardoso, Rui Pina Coelho e Susana Moreira Marques, e apoio à pesquisa de João Carlos Callixto, Pedro Afonso e Zélia Afonso.

O espetáculo não pretende reconstituir o concerto original, mas reinventá-lo à luz de uma abordagem contemporânea inspirada no Gig Theatre, uma forma híbrida que funde a energia dos concertos ao vivo à narrativa teatral, reinterpretando o legado de Zeca com liberdade criativa e profunda ressonância emocional.

O espetáculo parte do adeus simbólico que esses concertos representaram – não só o adeus de um artista, mas também o fim de uma era. Com a despedida de José Afonso, Portugal parecia também dizer adeus à utopia de Abril, num tempo em que o país se preparava para novas transformações. É com essa consciência histórica e afetiva que o espetáculo evoca a coragem, a melancolia e a persistência de um povo, celebrando a memória de um dos seus maiores artistas e o eco inapagável da sua voz na construção da democracia portuguesa.

Nas palavras do encenador, “No fundo, estamos a pedir energia e força ao José Afonso para um tempo confuso, difícil, com muitas derrotas também, algumas delas até civilizacionais, por isso, pedimos esta noite de asilo, este abrigo a este grande poeta, cantor, compositor, que marca este nosso século XX e que nos deveria orgulhar de forma extraordinária poder revisitá-lo e ouvi-lo”.

Os bilhetes estão disponíveis a 12€ (6€ cartão Pentágono) na bilheteira do Theatro Circo, locais habituais e online em https://theatrocirco.bol.pt/

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