O Estudo Semestral do Imovirtual, que analisa a procura por apartamentos e moradias para compra entre abril e junho de 2026, mostra que o mercado imobiliário português continua fortemente concentrado no litoral. Cerca de 85% das pesquisas realizadas na plataforma incidem sobre distritos costeiros, confirmando a predominância dos principais centros urbanos. Ainda assim, o estudo evidencia que o interior continua a afirmar-se como uma alternativa relevante para muitos compradores, sobretudo pela maior acessibilidade dos preços.
Ao longo do trimestre, a procura revelou também um comportamento mais consistente no interior. Enquanto em junho o litoral registou uma quebra de 25,3% face a abril, no interior essa redução foi menos acentuada (21,2%), refletindo uma desaceleração menos expressiva da procura nestes mercados.
Apesar desta realidade, o litoral continua a concentrar os principais polos de procura. Lisboa representa 22,9% de todas as pesquisas realizadas no país, seguida do Porto (20,2%) e de Setúbal (10,4%), que, em conjunto, representam mais de metade da procura nacional. No interior, Santarém continua a assumir um papel de destaque, concentrando 37,1% da procura desta região, beneficiando da proximidade à Área Metropolitana de Lisboa e da procura por alternativas mais acessíveis.
Ao nível dos preços, a diferença entre litoral e interior continua a ser significativa. O preço médio procurado situa-se nos 260.000 euros no litoral e nos 155.000 euros no interior, uma diferença de 105.000 euros, equivalente ao valor médio de um imóvel em distritos como Bragança ou Guarda.
No litoral, a Madeira apresenta o preço médio procurado mais elevado (360.000 euros), seguida de Lisboa (325.000 euros) e de Setúbal e Faro, ambos nos 300.000 euros. No interior, Évora e Santarém lideram com 200.000 euros, enquanto Bragança continua a apresentar o preço médio procurado mais baixo do país (120.000 euros).
O estudo mostra igualmente diferenças na evolução dos preços procurados entre litoral e interior. Enquanto em Castelo Branco (+16,7%), Beja (+9,0%), Portalegre (+7,7%), Bragança (+6,7%) e Guarda (+6,2%) os compradores passaram a procurar imóveis em patamares de preço mais elevados, em Lisboa (-5,9%), na Madeira (-6,7%) e nos Açores (-13,0%) verificou-se o movimento inverso, com uma ligeira redução dos valores pesquisados.
O estudo mostra também que o comprador português continua claramente orientado para habitações familiares. Entre as pesquisas onde a tipologia foi identificada, os T4 representam 33,5% da procura e os T3 31,9%, o que significa que estas duas tipologias concentram cerca de 65% das pesquisas realizadas no Imovirtual.
No interior, esta tendência é ainda mais evidente. Os T4 são a tipologia mais procurada em todos os distritos analisados, enquanto no litoral apenas Porto e Braga apresentam os T3 como primeira escolha. A diferença de preços ajuda também a explicar esta preferência. Enquanto um T4 apresenta uma mediana de 310.000 euros no litoral, no interior esse valor desce para 195.000 euros. Em Bragança, por exemplo, um T4 apresenta um preço médio procurado de apenas 138.750 euros, menos de metade do valor registado em vários mercados costeiros.
O estudo identifica ainda vários concelhos que cresceram contra a tendência nacional. No interior, Miranda do Douro lidera com um crescimento da procura de 87,9%, seguido de Macedo de Cavaleiros (+39,3%), Vouzela (+27,3%), Celorico da Beira (+24,1%) e Portalegre (+15,7%). No litoral, destacam-se Paredes de Coura (+63,0%), Pampilhosa da Serra (+30,0%), Pedrógão Grande (+22,9%), Estarreja (+16,5%) e Albufeira (+15,2%), sendo este último o concelho com maior crescimento absoluto da procura durante o período analisado.
“O estudo confirma que continuamos a ter um mercado fortemente concentrado no litoral, mas mostra também que o interior está longe de ser uma realidade homogénea. Existem territórios que começam a ganhar dinamismo de forma consistente, impulsionados por compradores que procuram mais espaço, preços mais acessíveis e uma melhor relação entre qualidade de vida e capacidade financeira. É uma evolução gradual, mas que merece ser acompanhada porque poderá influenciar a forma como o mercado imobiliário português evolui nos próximos anos”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Os dados do Estudo Semestral do Imovirtual mostram que o mercado imobiliário português continua marcado por uma forte concentração da procura no litoral, mas evidenciam também sinais de transformação na geografia da habitação. Embora os grandes centros urbanos mantenham um papel dominante, vários mercados do interior começam a afirmar-se pela combinação entre acessibilidade, maior disponibilidade de espaço e crescimento sustentado da procura, desenhando um mercado cada vez mais diversificado e menos dependente dos territórios tradicionalmente mais procurados.
