Matheus Marley Machado, rapper brasileiro, recorreu esta quinta-feira à Relação de Guimarães da condenação de 21 anos e meio de prisão, aplicada no Tribunal de Braga, pelo homicídio do jovem estudante bracarense Manu, em 12 de abril de 2025.
O arguido pediu uma pena muito inferior a 21 anos e meio de prisão, no seu recurso, enviado ao Tribunal da Relação de Guimarães, podendo eventualmente Matheus Marley Machado recorrer ainda ao Supremo Tribunal de Justiça, caso se sinta inconformado. Mas, como o Ministério Público não recorreu da condenação de Matheus Marley Machado, a pena nunca poderá ser superior à aplicada pelo Tribunal de Braga.
Matheus Marley Machado foi condenado a 17 de junho à pena de 21 anos e meio de prisão efetiva, por homicídio qualificado de Manuel Gonçalves, de 19 anos. O arguido terá ainda de pagar 220 mil euros de indemnização aos pais da vítima, que pediam 750 mil euros, além de ressarcir os familiares em cerca de sete mil euros por despesas relacionadas com o funeral do jovem.
O Tribunal Coletivo da Instância Central Criminal de Braga determinou como pena acessória, a sua expulsão de Portugal, por cinco anos, para a República Federativa do Brasil, após cumprida a pena em Portugal, o que o arguido contesta no seu recurso.
Conhecido como Manu, Manuel Gonçalves, aluno do 12.º ano na Escola Secundária de Dona Maria II, em Braga, foi morto com três facadas na noite de 12 de abril de 2025, em frente ao Bar da Associação Académica da Universidade do Minho.
Ao longo do julgamento, diversas testemunhas confirmaram ter sido de Matheus Marley Machado a autoria das facadas. A investigação confirmou que, na sequência dos desacatos dentro do bar, Marley desferiu três facadas a Manu.
O Tribunal de Braga confirmou a acusação do Ministério Público, segundo a qual, por volta das 1.18 hooras, “a vítima confrontou um dos elementos que integravam o grupo do arguido, por ter tido a perceção de que um deles teria adulterado a bebida de uma jovem cliente do estabelecimento”. “Nesse contexto, o arguido, na posse de uma faca e empunhando e brandindo a mesma, avançou de encontro ao ofendido, que estava desarmado, e, uma vez junto deste, desferiu-lhe três golpes, atingindo-o mortalmente”, segundo se provou no julgamento.
Segundo a juíza-presidente, Sónia Martins, “o arguido quis tirar a vida à vítima, pois poderia ter-se ausentado do local, o que não fez, optando por ficar no local, consumando o crime de homicídio, de forma consciente, resultado com que se conformou”. A magistrada judicial acrescentou que “nos dias de hoje, por tudo e por nada, um cidadão tira a vida de outro cidadão com uma arma”, pelo que considera haver “uma necessidade de prevenção geral para a sociedade e de prevenção geral para o arguido”.
Arguido já mudou de advogados
Entretanto, Matheus Marley Machado, de 28 anos, mudou de advogados, passando para o Escritório de Advocacia Macanjo, do Porto, não sendo defendido pelos dois advogados que o representavam, António Falé de Carvalho e Marta Bessa Rodrigues.
A advogada Luísa Moreira Macanjo confirmou “a entrega atempada do recurso”, mas recusou entrar em pormenores, acerca das motivações do seu cliente, preso preventivamente no Estabelecimento Prisional Central do Porto, em Custóias, Matosinhos.
