O presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, afirmou que o estudo sobre a segurança da infraestrutura ciclável da cidade divulgado na quarta-feira pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) “não tem ponta por onde se lhe pegue”.
Falando na reunião quinzenal do executivo, João Rodrigues acrescentou que o estudo merece “um chumbo de todo o tamanho”.
“Por exemplo, mais de metade das vias analisadas são vias onde nem sequer podem circular bicicletas. Portanto, acho que basta dizer isto. É um estudo errado, a própria entidade que o publicitou […] já veio alterar aquilo que disse no dia anterior”, referiu o social-democrata.
Na quarta-feira, o ACP divulgou que uma avaliação da segurança da infraestrutura ciclável de Braga concluindo que 42,9% dos 22,16 quilómetros auditados têm risco elevado ou extremo para ciclistas, sendo apenas 7,89% classificados como de risco reduzido.
Segundo o ACP, o estudo conclui ainda que 83,1% dos troços críticos estão em vias partilhadas com automóveis e 89,2% têm a faixa de rodagem a menos de um metro do ciclista.
Hoje, a instituição de utilidade pública já alterou a nota emitida na quarta-feira a acompanhar o estudo, apontando que a avaliação incidiu sobre 22,16 quilómetros “de percursos selecionados, codificados de 10 em 10 metros e analisados através de um modelo que cruza quatro dimensões: desenho urbano, procura, segurança e utilização real”.
“Para além da infraestrutura ciclável existente, foram analisados corredores urbanos, zonas de coexistência, espaços partilhados e ligações potenciais, de forma a identificar oportunidades de melhoria e apoiar o desenvolvimento futuro da rede ciclável de Braga”, acrescenta-se na nota alterada.
O próprio título da nota passou de “42,9% da rede ciclável analisada em Braga apresenta risco elevado para os ciclistas”, na primeira versão, para “Estudo ACP apoia futura rede ciclável em Braga”, na versão de hoje.
No entanto, o estudo em si mantém-se acessível na página do ACP.
Contactado pela Lusa a propósito destas alterações, o ACP referiu que “não reconhece que existam erros metodológicos no estudo”.
“Caso venham a ser apresentadas observações técnicas concretas, as mesmas serão naturalmente analisadas no âmbito do normal escrutínio técnico a que este tipo de trabalhos está sujeito”, acrescentou.
O estudo foi desenvolvido pela Lane Patrol, empresa portuguesa especializada em digitalização e avaliação de infraestruturas rodoviárias e de mobilidade ativa, responsável pela aplicação da metodologia CycleRAP em Portugal.
Numa nota enviada ao município, a Lane Patrol clarificou que o estudo incidiu sobre corredores existentes e potenciais para o desenvolvimento de uma futura rede ciclável contínua em Braga, “não correspondendo a uma avaliação global da rede ciclável atualmente disponibilizada pelo município”.
Disse ainda que o estudo “identifica necessidades de intervenção em 42,9% dos percursos analisados para uma futura rede ciclável de Braga”.
“A rede ciclável atualmente existente em Braga tem uma extensão de 22,16 quilómetros. No entanto, o universo analisado pelo estudo foi mais alargado, abrangendo ciclovias existentes, ruas urbanas, zonas de coexistência, espaços partilhados e ligações ainda não integradas na rede ciclável municipal”, referiu a Lane Patrol.
“Neste universo, 42,9% dos percursos analisados apresentam fatores associados a níveis de risco elevado ou extremo, enquanto 7,89% foram classificados como de risco reduzido. Esta classificação deve ser interpretada como um indicador das necessidades de intervenção nos corredores analisados e não como uma avaliação global da segurança da rede ciclável atualmente disponibilizada pelo município”, sustentou.
