A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) manifesta preocupação com o novo modelo online de escolha de vagas para a Formação Especializada, considerando que a solução anunciada pode levar mais médicos a desistir da vaga em que ficam colocados, deixando lugares de formação especializada por preencher.
Ao contrário do modelo presencial, em que cada candidato escolhe uma vaga entre as que estão disponíveis no momento, o novo sistema, recentemente anunciado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), prevê que os candidatos sejam organizados por grupos e indiquem previamente as suas preferências. Dependendo do número de candidatos em cada grupo, poderá ser necessário ordenar dezenas ou mesmo centenas de vagas.
Esta alteração pode levar à inclusão de vagas sem uma preferência efetiva, apenas para garantir uma colocação, aumentando o risco de rescisões posteriores. Quando tal acontece, a vaga deixa de voltar a estar disponível para outros candidatos.
A ANEM reconhece as vantagens da digitalização do processo, nomeadamente a possibilidade de os candidatos realizarem a escolha a partir de qualquer localização e disporem de mais tempo para organizar as suas preferências. No entanto, considera que o novo modelo introduz alterações que podem ter consequências relevantes para os candidatos e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“A digitalização é positiva, mas uma alteração desta dimensão não pode criar o risco de termos vagas de formação especializada que poderiam ser preenchidas e que acabam por ficar inutilizadas. Isso tem consequências para os candidatos, para os serviços e, obviamente, para o próprio SNS”, afirma Maria Fontão, Presidente da ANEM.
A ANEM considera ainda preocupantes a ausência de um teste-piloto, a pouca antecedência da comunicação da mudança e a indefinição quanto à dimensão dos lotes e ao período disponível para a seriação das vagas, defendendo uma reavaliação da aplicação do novo modelo e assegurando que a alteração é devidamente testada antes da sua implementação.
A ANEM tem mantido contacto com a Ordem dos Médicos para acompanhar a evolução da situação e avaliar os desenvolvimentos relacionados com a implementação do novo modelo.
