Minho

Braga quer acolher Polo Arqueológico do Cávado mas Terras de Bouro também está à espreita

O presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, garantiu hoje que está a trabalhar para que o futuro Polo Arqueológico do Cávado (PAC) fique no seu concelho, mas admitiu que Terras de Bouro também está de olho no equipamento.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião quinzenal do executivo, João Rodrigues adiantou que, ao contrário do que estava previsto, o PAC não ficará instalado no Convento São Francisco, por significar um investimento municipal “desmesurado”.

“Nós tentamos reconfigurar o projeto, primeiro para o Museu [de Arqueologia] D. Diogo de Sousa, que não sei se vai ter ou não êxito, se a Museus e Monumento de Portugal quer lá implantar o Polo Arqueológico, pago pela Câmara Municipal de Braga. Mas, se não quiser, temos de arranjar um outro sítio e é sobre isso que estamos a trabalhar”, referiu.

Sublinhou não ter conhecimento concreto das eventuais objeções da Museus e Monumentos de Portugal à instalação do polo no D. Diogo de Sousa.

“Sei, pelo tempo que passou, e por algumas conversas informais que fui tendo, que pode não haver interesse por parte do museu (…). Pode haver algum impedimento, se não houver espaço, não sei, pode haver qualquer impedimento”, adiantou.

Para a eventualidade de se confirmar essa impossibilidade, a câmara procurará outro espaço no concelho para o Polo Arqueológico, que vai acolher o espólio dos seis municípios do Cávado (Braga, Terras de Bouro, Amares, Esposende, Vila Verde e Barcelos).

Entretanto, a Câmara de Terras de Bouro também já manifestou interesse em acolher o polo, caso Braga não encontre o espaço necessário para o efeito.

O Polo Arqueológico do Cávado tem um financiamento comunitário garantido de cerca de 600 mil euros, que está assegurado seja qual for a sua localização.

“A CIM [Comunidade Intermunicipal] pode redistribuir os investimentos, mas aquilo que a CIM decidiu no último Conselho Intermunicipal foi insistir na manutenção do Polo Arqueológico em Braga”, disse ainda João Rodrigues.

Segundo o autarca de Braga, a instalação do polo no Convento de São Francisco, que no anterior mandato autárquico tinha sido protocolada com a Universidade do Minho, significaria um investimento de perto de 1,8 milhões de euros.

A questão do Polo Arqueológico foi levada a reunião do executivo pelo vereador do Amar e Servir Braga Ricardo Silva, que é também arqueólogo na Câmara de Terras de Bouro.

“Por acaso, gostava de saber o que é que o vereador Ricardo Silva acha sobre isso, se acha que [o polo] devia ir para Terras de Bouro, para o serviço de arqueologia onde ele trabalha, defendendo, ou se devia ficar aqui em Braga, onde ele é vereador”, desafiou João Rodrigues.

Contactado pela Lusa, Ricardo Silva disse que João Rodrigues “tem de mostrar ter competência e estratégia para fixar a estrutura em Braga”.

“Lute pelas boas causas e não arranje subterfúgios para justificar a perda de investimentos”, acrescentou Ricardo Silva.

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