No Domingo de Ramos, pelas 16h00, cumpriu-se a tradição em Fiscal (concelho de Amares).
Com início na Capela de São Bento das Pedras, a Procissão do Senhor dos Passos percorreu a Rua de São Bento, a Avenida do Rio Homem, a Avenida da Igreja e o Largo da Igreja, tendo, após o Sermão do Calvário, os andores do Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores sido transportados até à Capela do Senhor dos Passos. A procissão foi comovente pela fé apesar de não ter tido a afluência habitual da comunidade e até de visitantes.
Para além do Sermão do Pretório, um dos momentos marcantes da procissão, realizada no Domingo de Ramos, ocorreu com o Sermão do Encontro (evocativo do encontro da Virgem Maria e do seu Filho a caminho do Calvário). O encontro de Maria e do seu Filho na Via Crucis é emotivo e apela à reflexão frente à Capela do Senhor dos Passos. Após o Sermão do Encontro, o corpo da procissão seguiu para a Igreja Paroquial de São Miguel, passando pelo cemitério paroquial (inaugurado em outubro de 1904) onde está sepultado esse grande vulto da cultura portuguesa de seu nome António Variações (1944-1984). Diante da Igreja Paroquial, o Sermão do Calvário foi eloquente e cativante.
O cenário é particularmente belo pela arquitetura do templo religioso e pelas paisagens que por ali se desfrutam, associado às palavras lúcidas do Padre Manuel de Brito Ferreira, orador responsável pelos sermões proferidos.
O corpo da procissão era formado pelo farricoco encapuçado tocando a trombeta, por inúmeros/as figurantes (Senhor dos Passos, Madalena, Verónica, São João Evangelista, Mulheres de Jerusalém, Martírios, Maria, Mãe de Tiago, entre muitos outros), quadros bíblicos com destaque para os Mandamentos da Lei de Deus e Jesus a caminho do Calvário, pelas Irmandades da paróquia, guiões invocativos de SPQR (Senatus Populusque Romanus), do Senhor dos Passos, a cruz processional, o andor do Senhor dos Passos e o andor de Nossa Senhora das Dores, o paleo de seis varas, a Sociedade Filarmónica de Vilarchão (Vieira do Minho), padres Kennedy Orero, Manuel de Brito Ferreira, Ricardo Azevedo e Tiago Barbosa, o Presidente da Câmara Municipal, Emanuel Magalhães e Vereadores Cláudia Abreu e João Januário, o Executivo da Junta de Freguesia de Fiscal presidido por Duarte Ribeiro e crentes.
A Sociedade Filarmónica de Vilarchão (Vieira do Minho) sob a direção do conceituado maestro Lourenço Cruz e que se apresentou com muitos jovens executantes revelou brio, postura e execução exemplar sendo de destacar a interpretação de Marcha Fúnebre n.º 1 (partitura de autor desconhecido existente no arquivo da banda centenária), Transfiguração (de António Almeida da Silva), Aeternum (de Vitor Resende), Mãe Boníssima (de Mário Pacheco) e Uma Lágrima (de José Nunes Afonso).
Texto: Carlos Dobreira
