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Portugal entre os mais europeístas da UE, com 93% a ver a União como fator de estabilidade

Publicado na véspera do Dia da Europa, o mais recente Eurobarómetro revela que 93% dos inquiridos em Portugal considera a UE uma força estabilizadora, face a 73% na média europeia, e que 75% dos europeus se sentem cidadãos da União, igualando o máximo histórico registado na primavera de 2025. Portugal afirma-se como um dos países mais europeístas da União, num contexto de crescente instabilidade internacional e pressão sobre o custo de vida, mas ao mesmo tempo que quase três quartos dos europeus (72%) consideram que o seu país beneficia de ser membro da União Europeia. Dados relativos a Portugal disponíveis nesta página.

Confiança na UE reforçada
A maioria dos europeus confia na UE (51%), um valor que representa uma subida de 3 pontos percentuais face ao Eurobarómetro do outono de 2025. Em Portugal, este valor é muito mais elevado, com 73% dos portugueses a confiarem na União Europeia, o nível mais alto registado no país desde 2019.

De acordo com a média europeia, a proteção da democracia e dos valores fundamentais é a principal razão para confiar na UE (42%), seguida da proteção face a ameaças externas (33%) e da convicção de que a UE é o nível adequado para responder aos desafios globais (31%).

O otimismo em relação ao futuro da UE registou uma ligeira subida (60%), sendo os jovens entre os 15 e os 24 anos os mais otimistas (68%). Quase seis em cada dez cidadãos europeus (57%) estão satisfeitos com o funcionamento da democracia na UE. Os valores que melhor representam a União, na opinião dos inquiridos, são a paz (41%), a democracia (32%) e o respeito pelo Estado de direito, pela democracia e pelos direitos fundamentais (28%).

Situação internacional e custo de vida
Ao nível europeu, o conflito no Médio Oriente é agora a principal preocupação dos cidadãos (25%). Em Portugal, esse valor é ainda mais elevado (31%), à semelhança da preocupação com a situação internacional em geral, também em 31% (face a 23% na média europeia).

A guerra da Rússia contra a Ucrânia preocupa 42% dos portugueses, um valor expressivamente acima da média europeia de 20%. O apoio a uma política comum de defesa e segurança na União Europeia regressou ao nível mais elevado das últimas duas décadas, com 81% de apoio.

Ao nível europeu, o custo de vida mantém-se como a preocupação dominante a nível nacional (36%) e pessoal (52%). Em Portugal, esta preocupação é ainda mais acentuada, com 44% dos portugueses a apontarem o custo de vida como a principal preocupação a nível nacional (face a 36% na média europeia). A saúde surge em segundo lugar com 40% (muito acima dos 11% da média europeia), e a habitação é referida por 32% dos portugueses como uma prioridade nacional, face a apenas 13% na média europeia.

Prioridades de investimento do orçamento da UE
No que diz respeito às prioridades de investimento do orçamento europeu, mais de dois em cada cinco cidadãos europeus (41%) gostariam que os fundos fossem aplicados prioritariamente no emprego, nos assuntos sociais e na saúde pública. Em Portugal, esta preferência é ainda mais expressiva, atingindo 66%, um dos valores mais elevados entre os Estados-Membros e que reflete as preocupações dos portugueses com o custo de vida, a saúde e a habitação.

A nível nacional, a educação, a formação, a juventude, a cultura e os meios de comunicação surgem como segunda maior preocupação dos portugueses, com 43% das respostas, valor acima da média europeia, onde este conjunto de temas ocupa o terceiro lugar, com 37%. Logo a seguir, a segurança e a defesa aparecem em terceiro lugar entre os portugueses inquiridos, com 29%, embora esta temática assuma maior relevância no contexto europeu, onde regista 38% das respostas.

Nota metodológica
O Eurobarómetro Standard 105 (primavera de 2026) foi realizado entre 12 de março e 5 de abril de 2026, nos 27 Estados-Membros da UE. Foram entrevistados presencialmente 26.415 cidadãos europeus. Os inquéritos foram igualmente conduzidos em nove países candidatos e potenciais candidatos (todos exceto a Ucrânia) e no Reino Unido.

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