Amares

Parapente, baloiço e uma requalificação no Monte de São Pedro Fins, em Amares

Um hectare de terreno comprado pela Junta de Freguesia de Caires. Um miradouro enquadrado nas montanhas rochosas. Uma plantação de carvalhos americanos. Um projeto para os próximos quatro anos de transformação total do espaço. Uma equipa de parapente. O Monte de São Pedro Fins junta abrange as freguesias de Caires, Portela, Paredes Secas, Caldelas e Paranhos.

O presidente da junta de Caires, Pedro Silva, reconhece que o ponto de viragem na notoriedade de São Pedro Fins foi a aquisição de um hectare de terreno. “Permitiu-nos pensar naquilo que queremos fazer aproveitando uma vista panorâmica. Torna-se um local, por excelência, para a prática de parapente e BTT. Com a sua altitude de 900 metros é um óptimo espaço de natureza para passeios lúdicos em família”.

Depois de uma limpeza, o executivo cairense avançou com a colocação de um baloiço, um miradouro enquadrado nas montanhas rochosas de Caires e Caldelas, de onde brotam as águas das termas. Dispõe de uma vista panorâmica privilegiada sobre os vales dos rios Homem e Cávado e a Vila de Amares. No cimo do miradouro, fica a Ermida de S. Pedro, pista de parapente e, em dias abertos, vislumbra-se o mar.

O baloiço é um dos maiores ex-líbris do concelho. “Aos fins de semana, são centenas de pessoas a subir a S. Pedro para ver e tirar fotografias no baloiço”. Desde maio a funcionar, o miradouro tem trazido pessoas de quase todo o norte do país: “recebemos muitos pedidos de informação vindos de vários locais do país”, revela Pedro Silva.

Finis Park
Um projeto desenvolvido pelos técnicos do Município irá transformar o Monte de São Pedro Fins. O presidente da autarquia assume que, “se o povo voltar a confiar em nós, este é um dos três projetos que queremos desenvolver no próximo mandato”. Os outros dois são a praia fluvial da Ombra e o Largo da Feira.

O ‘Finis Park’ está avaliado em 500 mil euros e segundo explicou o presidente da câmara de Amares, ao ‘Terras do Homem’, irá contemplar um miradouro com um serviço de bar; uma plataforma em ferro junto à rampa de lançamento do parapente com vista para todo o vale; um local para slide.

Na zona depois da subida pela União de Freguesias de Caldelas, Sequeiros e Paranhos ficará instalado um parque de merendas e serão criados lugares de estacionamento, incluindo para autocarros.

Ainda, segundo o projeto consultado pelo ‘Terras do Homem’, toda a zona envolvente da capela será requalificada e passará a contar com novos acessos, incluindo para pessoas com mobilidade reduzida. O projeto já teve o aval positivo dos presidentes da Junta quer da União de Freguesias de Caldelas, Paranhos e Sequeiros quer de Caires, bem como dos respetivos párocos.

Manuel Moreira revelou, ainda, que “com ou sem financiamento, esta será uma obra que queremos ter pronta até ao final do próximo mandato”.

Carvalhos e hotelaria
A junta de Caires tem vindo a fazer algum trabalho com vista ao futuro, nomeadamente, com a plantação de carvalhos americanos. “Ficaremos com uma espécie de bosque, que trará as sombras necessárias em dias de mais calor, por exemplo”.

A junta vai agora avançar com a vedação de todo o terreno. “Temos que proteger os carvalhos dos garranos e, numa primeira fase, teremos que ver tudo”. Um trabalho que será liderado pela própria junta e com a colaboração de voluntários.

Manuel Moreira revelou ao ‘Terras do Homem’, que um privado, dono de um terreno com um edifício abandonado que existente no local, “já manifestou interesse em avançar com um projeto com um restaurante e um hostel, quando começarmos a desenvolver o que temos em mente”. Uma boa notícia para o presidente da junta: “é um edifício que não fica bem no monte e a sua requalificação é bem-vinda”, diz Pedro Silva.

Monte de S. Pedro Fins

O Monte de São Pedro Fins tem uma altitude de 550 metros. Segundo explica Pinho Leal, “S. Pedro Fins, eminência outrora assinalada também por castro, de grandes proporções, ou castelo, depois por uma capela meeira entre Caldelas e Caires, dizendo que ‘a imagem do Santo veio para ali do lugar de S. Fins, freguesia de Rendufe, e por isso se chamou S. Pedro Fins por abreviatura de S. Pedro de S. Fins’.

Redundavam, outrora, os festivais destas capelas fronteiriças, S. Pedro Fins, S.to Ovídio e S.ta Cruz, em arraiais de grossa pancadaria, verdadeiras batalhas entre mancebos das terras circunvizinhas, que para aqui guardavam sistematicamente o tirar desforço de contendas e despiques, especialmente por questões de preferência entre namorados.

E as ‘cachopas’ compraziam-se lá no íntimo com a fama dos valentões, que passava de boca em boca no segredo de umas às outras de suas confissões amorosas.

A origem e razão de ser destes acontecimentos, com que de antemão já contavam os frequentadores destas romarias acidentadas, está bem de ver que se filiavam no exemplo de tradições medievais, que os cavaleiros criaram à volta das damas uma auréola de dignidade e de graça e desafiavam-se em justas e torneios para merecerem-lhes as simpatias.

Se foram de conveniência do momento, que imperou a força bruta, o reflexo de tais exemplos veio empalidecendo à medida que o policiamento dos costumes e o rigor das justiças os foi reprimindo e, simultaneamente, o artificialismo dos desportos também veio a supri-los”.

O Elucidário de Viterbo, sob a palavra mamoa, discorrendo sobre os diferentes meios naturais e convencionais com que nossos antepassados dividiam os territórios (arcas, petras fixas, arborea finales, etc.), apresenta uma razão mais aceitável, e em tal conformidade, S. Pedro-fins (de fines) – o segundo elemento significa “limites”.

Este pico altíssimo também foi conhecido por Castelo de Espinho, por situar-se na espinha de todo o sistema montanhoso que se elevava do bico da confluência ao bico da Geira, e em correlação com a mesma adequada nomenclatura geográfica de “Castrum anofrice” e “Castrum lagenosum”.

O Castrum spineum, povoado fortificado, localiza-se na vertente SW do monte de S. Pedro Fins, num esporão bastante largo, definido pela curva de nível dos 450m, com uma pequena sobre-elevação que corresponde a uma massa de afloramentos rochosos. O sítio é conhecido por Castelo de Espinho.

No local existem vestígios duma muralha de pedra miúda, visível sobretudo nos lados este e nordeste do monte. Por toda a superfície do esporão encontram-se fragmentos de tijoleira e escórias de ferro. Albano Belino refere o aparecimento, neste sítio, de pedras aparelhadas pequenas mós, cerâmica e tégulas romanas.

Abouaboua

No Monte de São Pedro fins está sediada o Abouaboua, clube de parapente que, lentamente, tem vindo a mais provas a nível nacional. A pista amarense sofreu melhorias, nomeadamente, com a criação de um local de aterragem, na vila de Caldelas, permitindo que mais provas e treinos possam ser realizados.

Segundo explica o clube, no seu site, “somos os irredutíveis aboadores do Norte, uma grande família “joaninha”, onde cada um é absolutamente insubstituível, um grupo heterogéneo e democrático que abrange todos sem distinção, com um denominador comum – o prazer de voar”.

Considerando-se “saudavelmente irreverentes, barulhentos quanto baste, unidos quando necessário, amigos dos amigos e hospitaleiros por natureza, não passamos por vezes, sem uma boa zanga ‘à maneira do norte’”. O clube é composto por vários “grupos naturais” que se formaram desde os primórdios do parapente na região de Braga, por volta de 1993.

“Como episódio remoto a perder-se na bruma dos tempos, o ‘homem do botequim’, depois de uma semi aprendizagem, incentivou um grupo na prática do voo livre, utilizando para o efeito asas que trouxe da Suíça”.

As descolagens decorriam no meio de tojos e calhaus no Monte de S Pedro Fins, Caldelas, os primeiros voos foram autênticas aventuras de pioneiros. “As asas eram ‘tijolos’ com uma taxa de afundamento inacreditável que apenas garantiam ‘marrecas’ diretas para os ‘campinhos’, tropeçando nas árvores em autêntica ‘tabela seca’, (aqui começou a ‘precisão na aterragem’ que é apanágio dos joaninhas)”.

“Em 1995/96, com um toque do ‘Pierre’, o grupo cresceu e integrou o Clube Papa-ventos num projeto luso-galaico dinamizado pelo carismático Aser. A personalidade deste piloto, a festa do parapente e a irmandade dos galegos foram os denominadores comuns num excelente momento do voo livre”.

Em 1999, no rescaldo do desmembramento do Papa-ventos, por iniciativa de alguns membros, forma-se em Braga o ‘voARCUMulos’ como uma secção de voo livre da Associação Recreativa e Cultural da Universidade do Minho. Este club representou a viragem dos pilotos de Braga para a parte portuguesa e para a FPVL.

“Começaram os pilotos a participar em competições, nomeadamente nas provas de Linhares, onde em 1999 o voARCUMulos ganhou o 1º lugar por equipas na competição B. Muitos pilotos se notabilizaram nesse período”.

Com o aparecimento do Carlos Pinheiro ‘polícia´’, o voo livre subiu um degrau qualitativo adquirindo um ‘toque alfacinha’. “A sua capacidade, voluntarismo, generosidade e espírito de sacrifício, tornou-o sem contestação ‘no joaninha guru’”.

Em 2000/2001 juntaram-se os “joaninhas” formados pelo Mestre José Carlos Figueiredo. “Produziu-se mais uma sacudidela no voo livre e outro avanço qualitativo com a família abouaaboua a afirmar regional e nacionalmente o seu lugar institucional, com os pilotos a libertarem-se definitivamente da ladeira para procurarem a distância. Vieram reforçar a união de todos, o espírito de sacrifício, a generosidade e o voluntarismo que já eram timbre do grupo”.

Com a ‘abouaescola’ existem pela primeira vez instrutores certificados pela FPVL, “o berçário joaninha está agora a alimentar esta boa praga”.

“O sucesso e coesão deste grupo alado assenta nos pilotos veteranos que constituíram a espinha dorsal, garantindo estabilidade, progressão e segurança do voo livre, num momento em que ele era no norte, a ‘zona de fronteira’. Apesar de nem sempre terem tido uma ‘escola oficial’, os joaninhas guardam no seu palmares desportivo, enquanto voARCUMulos, o 1º lugar por equipas na competição B em 1999, já como “joaninhas”, o 1.º lugar por equipas na competição B em 2001 e o título de campeão nacional B em 2002, colocando ainda um dos pilotos como melhor piloto do respetivo ranking neste ano. Em 2003 tivemos a saudável concorrência dos pilotos da Madeira com quem queremos fazer em competição muitos e bons voos”.

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