São três projetos que respondem a problemas de públicos específicos e que criam, entre eles, como que uma rede munindo de ferramentas utentes, famílias e escolas de Vila Verde. ‘Vencer o Autismo’ e ‘Cuidar de Quem Cuida’ mantiveram as suas atividades, condicionadas pela pandemia; um balcão da inclusão deve abrir no mês de outubro.
A técnica superior, Alexandrina Cerqueira, explicou ao ‘Terras do Homem’, a “importância de um espaço que permita às pessoas ter um acompanhamento desde o momento em que percebe que está com um problema até ao momento em que ela aceita, se sente melhor, e consegue ter recursos para resolver o seu problema”. Por isso, “é uma mais valia perceber o que existe no território e de que forma se pode recorrer a ajuda dentro daquilo que são os recursos que o próprio território nos oferece”.
A vereadora da Ação Social, Júlia Fernandes, afina pelo mesmo diapasão reconhecendo que “o Município de Vila Verde está sempre muito atento às necessidades dos vilaverdenses e tem implementado vários projetos que respondem a problemas específicos que pretendem resolver situações problemáticas”.
Por isso, há a preocupação que estes projetos funcionem em rede “com instituições como a saúde, a educação, as forças de segurança, as IPSS e as famílias. Os projetos “Vencer o Autismo”, “Cuidar de Quem de Cuida”, “Chega +”, “Cávado mais Igual”, “Idade Maior”, “Seniores Ativos”, “Medivida”, “Dentivida”, “Irisvida”, “Banco Local de Voluntariado”, entre muitos outros, envolvem dezenas de parceiros e são verdadeiros exemplos de um trabalho em rede onde todos são fundamentais na resolução dos problemas reais das pessoas”.
Júlia Fernandes lembra que mesmo “num tempo difícil como este em que vivemos, numa pandemia sem precedentes, o Município esteve sempre no terreno, contando com o apoio inexcedível das juntas de freguesia e de todas as instituições para que nada faltasse e os vilaverdenses se sentissem acompanhados, sobretudo aqueles que mais precisam”.
Vencer o autismo
O projeto terminou em julho, mas deixou frutos. A partir de setembro haverá uma mentoria. Este “era um projeto que apoiava os pais e as mães de crianças com autismo e podia dar apoio às escolas e aos professores que lidavam e trabalhavam com estas crianças que são especiais, com uma forma especial de ser e de estar”.
Alexandrina Cerqueira não tem dúvida: “é preciso conhecimentos que permitam trabalhar com elas de uma forma mais eficiente e eficaz”. Com o término do projeto, a entidade responsável lançou o desafio ao Município para avançar com uma proposta de mentoria: “a associação continuaria a trabalhar connosco nos moldes em que considerássemos mais adequados e importantes para dar estas respostas”. Em setembro, quando se iniciar a escola, a mentoria passa a estar disponível no terreno.

“Daremos, assim, uma resposta a uma situação que aqui no concelho estaria sem retaguarda”, acrescenta a técnica. A Associação está disponível para dar mentoria não só aos pais e às escolas com crianças autistas, mas também para pais e crianças com deficiência.
O projeto começou no auge da pandemia e passou por palestras de informação e workshops para os pais e cuidadores. Foram organizados ao longo deste ano, nove workshops com 815 participantes e foram realizadas 23 palestras, das quais duas presenciais, com a participação 7665 pessoas.
Em primeiro lugar as pessoas assistiam a um workshop e depois quem quisesse uma parte mais focada numa determinada situação ou problema relacionado com o autismo, havia as palestras, com menos gente, direcionadas para estas dificuldades e com estratégias e soluções.
Segundo Alexandra Cerqueira, “a equipa pode dar apoio aos pais e às crianças introduzindo algumas estratégias vocacionadas para elas e alargando às escolas que tenham este tipo de crianças nas suas salas de aula.
Cuidar de quem cuida
Projeto para cuidadores informais já está no terreno. Em 2019, foi feita a capacitação de técnicos para adquirem competências na transmissão de conhecimento. “Não é um projeto nosso, é protocolado com a CATIIS, e é financiado. A CATTIS tem o financiamento, contactam concelhos interessados em criar este projeto, dão-nos o conhecimento e toda a informação e depois vão se embora e nós ficamos responsáveis pelo projeto”.
Em Vila Verde, “fizemos uma coisa diferente porque apostamos numa coordenação bicéfala entre a câmara e o ACES. Para nós, não fazia sentido pensar num projeto em que não tivéssemos a saúde porque seria impossível fazer alguma coisa”.
Ainda segundo Alexandrina Cerqueira, Vila Verde também fez outra coisa diferente: “noutros municípios criou-se um gabinete de apoio ao cuidador informal, nós aqui criamos aquilo a que chamamos RAC (rede de apoio ao cuidador informal)”.
Basicamente, as pessoas podem ser atendidas na saúde, na ação social, numa IPSS e ter apoio, logo, naquilo que é a sua necessidade. A equipa, composta por técnicos de diferentes áreas, mobiliza-se para apoiar a pessoas. “Quando somos uma rede compromete a outra pessoa que não precisa de sair do seu espaço para responder, de forma mais focada, mais precisa, a quem a procura”.
Há um técnico de referência que está nas instalações da ação social da câmara com capacidade para responder logo às solicitações e direcionando-a para a entidade que poderá resolver o seu problema.
Sete cuidadores
Ao mesmo tempo, sete cuidadores informais participaram naquilo a que se chama um ‘psico-educativo’ composto por um conjunto de horas de formação, duas por semana, durante 10 sessões onde são trabalhadas todas aquelas questões importantes para que se possa cuidar de forma eficaz.
“Todas as sessões têm um tema a começar por ‘Eu cuidador’, onde se aprende a necessidade do cuidador cuidar dele primeiro porque estando bem consegue cuidar bem quem tem a seu cargo. As pessoas chegam cá cansadas, destruturadas, sentindo uma culpa enorme pelo facto de precisarem de irem ao cinema, ao teatro, jantar fora e ao fazerem isto não estarem a ser bons cuidadores e nós dizemos-lhes que só serão bons cuidadores se estiverem bem com eles próprios”, explica a técnica superior.

Neste curso é ainda abordada a forma de comunicar adaptando essa comunicação às pessoas que está a ser cuidada, há uma parte ligada à enfermagem, abordam-se os apoios sociais que existem, fala-se também do estatuto do mero acompanhante, etc. etc.
Em Vila Verde, já foi realizado um ‘psico-educativo’ que deu preparação aos cuidadores para puderem não só deles, mas também da pessoa cuidada. “Existe depois a tal rede que ela pode utilizar quando precisar”.
O curso foi on-line, estava planeado para arrancar em março de 2020, mas com o Covid alterou a ideia inicial que era ser presencial. “Alguns destes cuidadores já são pessoas com alguma idade e que não dominam as novas tecnologias, começamos com sete cuidadores e tivemos que fazer uma primeira abordagem no sentido de ajudarmos as pessoas a lidarem com as novas tecnologias e poderem aceder às sessões on-line. Fizemos todas as sessões com as pessoas a aderiram, o que para nós foi uma surpresa”.
Já depois do fim do ‘psico-educativo’, os formandos quiseram criar um Grupo de Ajuda Mútua numa rede social, gerido pelos cuidadores, a que deram o nome de ‘Corajosos Cuidadores Vila Verde’. “Nós vamos dando algum apoio, já fizemos uma aula de atividade física, de ioga, vamos perguntando onde sente mais necessidade e vamos ajudando”.
As pessoas cuidadas têm demência outras têm um grau de debilidade elevado. Alexandra Cerqueira conta o caso do único homem frequentador do curso. “Cuida de três pessoas diferentes: um filho com uma síndrome rara e os pais bastante debilitados”.
O curso acabou em abril e em maio foi feito um ‘follow-up’ “para fazermos uma avaliação do que eles conseguiram mudar, se alteraram as suas rotinas, para termos uma noção da sua própria evolução”.
Na forja está a possibilidade de arrancar com um novo ‘psico-educativo’. Apontado para o mês de setembro, terá no máximo 12 pessoas: “nós queremos que seja presencial porque acaba por ser muito prático. Os que fizeram o primeiro psico-educativo podem depois serem convidados a contar a sua experiência e a importância do curso”, revela Alexandra Cerqueira.
A técnica municipal recorda que “quando decidimos avançar com o primeiro psico-educativo deparamo-nos com um problema: onde é que as pessoas deixariam os seus cuidados. Então, a ideia era envolver as IPSS que existem e que, durante duas horas, possam tomar conta daquela pessoa enquanto o cuidador está a ter a formação. Ou então, ter um voluntário que durante duas horas se disponibilize para ir aquela casa e ficar com a pessoa enquanto o cuidador vem para o psico-educativo”.
Criação de um balcão da inclusão
O Balcão da Inclusão deverá ser assinado em outubro com o Instituto Nacional da Reabilitação e tem como objetivo criar espaço de apoio para pessoas com deficiência ou incapacidade. Ainda não estão definidos o horário e os dias específicos da sua abertura. Estará localizado nas instalações da ação social da autarquia.
“Vai tentar ajudar as pessoas com deficiência promovendo políticas de igualdade e oportunidades para todos no acesso à Informação”, explica Alexandrina Cerqueira.
Os interessados podem deslocar-se ao gabinete e com atendimento especializado, ter acesso a informação sobre os seus direitos, benefícios fiscais, que recursos existem, que prestações podem usufruir, emprego e formação, áreas onde poderá haver intervenção precoce. No fundo é uma estrutura com um atendimento mais especializado e focado nesta área.

O balcão também irá funcionar em rede o que permitirá encaminhar processos para diferentes entidades. A técnica realça que “há a vantagem de ter ligação direta ao INR, respondendo a questões que possamos não saber responder, teremos uma espécie de Via Verde para o INR e até podemos entroncar na questão dos cuidadores informais e do psico-educativo”.
A vereadora da Ação Social confirma a abertura do Balcão da Inclusão em outubro que “terá como objetivo criar um espaço de apoio para pessoas com deficiência ou incapacidade, promovendo políticas de igualdade e oportunidades para todos no acesso à Informação. O balcão também irá funcionar em rede o que permitirá encaminhar processos para diferentes entidades”.
Para Júlia Fernandes, “as pessoas têm de estar sempre primeiro e todos estes projetos vão ao encontro das suas necessidades, dos seus problemas e pretendem dar respostas eficazes e atempadas com técnicos especializados
