E, finalmente, aconteceu. Refiro-me ao XII Caminho a Santiago da ESVV. Adiado nos dois últimos anos devido à pandemia, no início deste mês de abril, quarenta e dois finalistas tiveram cinco dias (fora das salas) de aulas, com disciplinas tão díspares como cidadania, resiliência, perseverança, companheirismo, solidariedade, entre muitas outras que, cada um por si, foi descobrindo e apreendendo ao longo da caminhada. Consta, por exemplos de anos anteriores, que ainda hoje os efeitos se estarão a fazer sentir. E não, não me refiro às dores musculares ou articulares, mas antes, às dores de crescimento que uma atividade destas sempre permite e/ou possibilita.
Se comparar esta 12ª caminhada a Santiago com a 1ª, as diferenças são enormes, nos aspetos organizativos e logísticos, na quilometragem percorrida e, consequentemente, no esforço despendido.
Em 2009 íamos todos – professores e alunos – totalmente à descoberta, com locais de estadia maioritariamente arranjados pela equipa de apoio enquanto caminhávamos. Obviamente, algumas dormidas eram no chão o que implicava o uso de colchonetes que cada um transportou e que, de acordo com a sua grossura/maleabilidade, dava um bom ou mau dormir. Os jantares dos primeiros dias, fornecidos por colegas de escola que assim se associavam à atividade, implicavam que cada um usasse os seus próprios talheres, copos e pratos, levados e, posteriormente, lavados por cada participante. Em 2022, todos os participantes tiveram direito a sentar-se à mesa de restaurantes previamente marcados, com ementas escolhidas, ninguém teve de levar, nem lavar, talheres e pratos e todos dormiram em colchões e/ou camas.
Em 2009 saímos de Braga em direção a Compostela – aproximadamente 180 Km em seis dias, uma média de 30 km diários. Desta vez saímos de Redondela, fazendo a Variante Espiritual, incluindo ainda sensivelmente 30 km de barco, ou seja, a pé, aproximadamente 100 km em cinco dias o que deu uma média de 20 km diários.
No que a dificuldades logísticas respeita, quando, em 2009, algum aluno saía do carreiro (leia-se percurso das setas amarelas) não era fácil encontrá-lo, seguindo apenas indicações telefónicas em que, invariavelmente, à tradicional pergunta: ondes estás? saía a habitual e desarmante resposta: estou aqui. Agora com a localização GPS, disponível em qualquer telemóvel, já nem há aquela dúvida, ”será que vamos perder alguém?”
Também o número de professores participantes encerra enorme diferença. No 1º se excluirmos a equipa de apoio não atingíamos a dezena a caminhar, e desta vez tivemos mais de duas dezenas a fazê-lo.
O que se mantém imutável e por isso digno de realce é o apoio de entidades parceiras da Escola, sendo que a Junta de freguesia de Vila Verde e Barbudo e a Câmara Municipal o são desde sempre e, esperamos, para sempre. Também no Caminho há algo que não difere muito nestes doze anos: a satisfação plena de todos os participantes, confessada verbalmente ou por escrito nas dedicatórias habituais, e aqueles barulh(inh)os noturnos dos ressonadores por excelência, alguns deles, com dez ou mais anos de experiência.
Vemo-nos, assim todos o queiram, no XIII Caminho, daqui a um ano.
Carlos Mangas [Professor de Educação Física]
