Opinião

Prevenção do cancro do colo do útero

O cancro do colo do útero é o segundo tipo de cancro mais frequente na mulher e, em quase 100% dos casos, está relacionado com uma infeção anterior por vírus do papiloma humano. Em Portugal esta doença mata uma mulher por dia e, todos os anos, são diagnosticados 720 novos casos.

A prevenção primária do cancro do colo do útero está relacionada com diminuição do risco de contágio pelo papilomavírus humano (HPV).

A transmissão da infeção pelo HPV ocorre por via sexual, presumidamente através de abrasões microscópicas na mucosa ou na pele da região anogenital. Consequentemente, o uso de preservativos durante a relação sexual com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer através do contacto com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal.

A principal forma de prevenção, é a vacinação contra o HPV

A vacinação contra o vírus do papiloma humano, responsável por uma das infeções de transmissão sexual mais comuns em todo o mundo, iniciou-se em outubro de 2008, com a administração de três doses às raparigas com 13 anos de idade.

Desde do dia 1 de outubro de 2020 a vacinação contra infeções por vírus do Papiloma humano (vacina HPV), foi alargada incluindo os genótipos causadores de condilomas ano-genitais ao sexo masculino, aos 10 anos de idade.

O grupo etário alvo da vacina são meninas e meninos a partir dos 10 anos, pois esta vacina é mais eficaz se usada antes do início da vida sexual. Devem ser tomadas duas doses, com intervalo de seis meses.

A meta é vacinar pelo menos 80% da população alvo para alcançar o objetivo de reduzir a incidência deste cancro nas próximas décadas no país. A vacinação, em conjunto com o exame preventivo (Papanicolaou), complementam-se como ações de prevenção deste tipo de cancro. Mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançarem a idade preconizada, deverão realizar o exame preventivo, pois a vacina não protege contra todos os subtipos oncogênicos do HPV.

A vacina destina-se especificamente à prevenção de lesões pré-cancerosas e cancro do colo do útero e ainda da vulva, vagina e ânus. Previne ainda as verrugas genitais associadas aos genótipos contidos na vacina.

A introdução da vacina contra a infeção por HPV no Plano Nacional de Vacinação foi um marco muito importante ao nível da saúde pública, mas o seu real impacto só vai sentir-se daqui a alguns anos. É hoje consensual entre a comunidade médica e científica que a vacinação e o rastreio permitirão a erradicação do cancro do colo do útero.

A vacinação não elimina a utilidade do rastreio, mesmo nas mulheres vacinadas que continuarão em risco. Pelo contrário, aumenta a necessidade de melhorar e aumentar a adesão de mulheres ao rastreio.

Todas as mulheres com idades compreendidas entre os 25 e os 60 anos deverão fazer o teste de cinco em cinco anos, se tiverem iniciado vida sexual.

O teste de rastreio consiste na pesquisa do Vírus do Papiloma Humano (HPV) e se necessário na realização de citologia em meio líquido. O rastreio regular é a melhor forma de detetar precocemente alterações do colo uterino.

Aposte na prevenção! A responsabilidades é de todos e o nosso empenho será em prol da saúde da nossa população.

Para mais informações aconselhe-se junto do médico/ a ou enfermeiro /a da sua Unidade Saúde – Centro de Saúde.

 

Maria do Céu Morais – Enfermeira Especialista em Saúde Comunitária

Unidade de Saúde Pública – ACeS Cávado II – Gerês/Cabreira

Fonte:DGS

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