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A solo e de guitarra ao colo, Jorge Cruz leva ‘Transumante’ à estrada

A pouco e pouco, Jorge Cruz tem voltado aos palcos nacionais. Primeiro foram dois concertos a solo no Porto e em Lisboa e depois um espetáculo especial, com convidados, na sua cidade natal de Aveiro. Agora, o músico e compositor volta a pôr os pés na estrada para uma digressão a solo – a primeira em mais de cinco anos –, onde apresenta o disco Transumante (2024). Esta turnê arrancou com concertos em Coimbra (9 de maio) e Chaves (10 de maio), e segue agora para Braga (gnration, 16 de maio), Viseu (17 de maio), Vila Nova de Santo André (23 de maio), Sertã (24 de maio) e Leiria (31 de maio).

Um dos nomes mais queridos do público português, Jorge Cruz é, para muitos, a cara do chamado “Roque Popular”. Ganhou proeminência no início da década de 2010 como o homem do leme dos Diabo na Cruz, banda com a qual percorreu o país de lés a lés e com quem editou os já clássicos Virou! (2009), Roque Popular (2012), Diabo na Cruz (2014) e Lebre (2018). Ao traçarmos o trilho deste cantautor, rapidamente chegamos a outros marcos.

Natural da Gafanha da Nazaré, fundou o trio aveirense Superego que editou dois longa-duração: Quem Concebeu o Mundo Não Lia Romances (1998) e A Lenda da Irresponsabilidade do Poeta (2000). No início dos anos 2000 formou a Fanfarra de música tradicional portuguesa de fusão, antes de partir para a capital em 2007. Pelo meio, editou três discos a solo; O Pequeno Aquiles (1999), Sede (2004) e Poeira (2007), gravado no Porto mesmo antes de se mudar para Lisboa. Em 2008 forma Diabo na Cruz com Bernardo Barata, João Pinheiro, B Fachada e João Gil e o primeiro disco da banda é editado um ano depois pela mítica FlorCaveira de Tiago Guillul e Samuel Úria. Com a editora lisboeta, o cantautor teve ainda experiência de produção em discos de João Coração, B Fachada e Os Pontos Negros.

Ao mesmo tempo que se ia adentrando na história da música portuguesa com a banda de roque popular e a FlorCaveira, Jorge Cruz começou também a escrever para vários nomes de proa. A Cristina Branco deu as canções Boatos (2016) e Aula de Natação (2018); compôs Leve como Uma Pena para Ana Bacalhau (2017) e escreveu o single Dia de Folga (2015) de Ana Moura.

Quando os Diabo na Cruz terminaram em 2019, Jorge afastou-se dos palcos por motivos de saúde. Enquanto ia aprendendo a viver com a tinnitus, uma doença que provoca zumbidos e assobios constantes na cabeça, voltou também a aprender a compor para si mesmo, algo que não fazia desde 2011, quando lançou o quarto disco a solo, Barra 90. Treze anos depois, em 2024 e sem aviso, lançou Transumante.

Remetendo-nos para o nomadismo e para as mudanças de pasto, este trabalho manifesta-se num ciclo de canções inspirado no mundo rural. Refletindo sobre o tempo, a infância e o Portugal que existe para lá do betão das cidades, sobressai a música de raiz portuguesa, cruzada com inspirações da tradição folk da guitarra americana. Num encontro sublime entre a paisagem e a palavra, este disco é também um regresso de Jorge Cruz às origens e uma reintrodução a um dos nomes mais influentes da música nacional da última década.

Os bilhetes para o espetáculo podem ser adquiridos em https://gnration.bol.pt, balcão gnration e locais habituais.

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