O mercado imobiliário português manteve em julho a trajetória de valorização, tanto na compra como no arrendamento, embora com evoluções cada vez mais diferenciadas entre regiões. Os dados do Imovirtual mostram que o preço médio dos imóveis anunciados para venda atingiu os 435.000 euros, representando um aumento de 1,4% face a junho e de 2,4% em comparação com julho de 2025. No mercado de arrendamento, o preço médio aumentou para 1.350 euros por mês, mais 3,8% face a junho e ao mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, Lisboa e Porto evidenciam sinais de maior estabilização, enquanto vários mercados intermédios e do interior continuam a destacar-se pelas maiores valorizações do país.
Apesar da valorização registada a nível nacional, a evolução dos preços continua longe de ser homogénea. Enquanto Lisboa e Porto mantêm os mercados mais caros do país, vários distritos do interior e cidades intermédias continuam a registar ritmos de crescimento superiores, evidenciando uma distribuição cada vez mais alargada da valorização entre diferentes regiões do país.
“Os dados de julho mostram um mercado que continua a valorizar, mas de forma cada vez menos uniforme. Os grandes centros mantêm preços elevados, embora apresentem sinais de maior estabilização, enquanto vários mercados intermédios e do interior continuam a registar ritmos de crescimento superiores. Esta evolução confirma que a leitura do mercado imobiliário exige hoje uma análise cada vez mais regionalizada, onde as dinâmicas locais são determinantes para compreender a evolução dos preços e interpretar as diferentes realidades do mercado”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Na venda, o Centro destacou-se como a região com melhor desempenho, registando um crescimento de 1,2% face a junho e de 13,7% em termos homólogos, fixando o preço médio nos 290.000 euros. O Sul manteve um crescimento anual de 7,6%, atingindo um preço médio de 269.000 euros, enquanto o Norte valorizou 5,7%, apesar de um ligeiro recuo mensal de -1,3%, fixando o preço médio nos 295.000 euros.
Entre os distritos, Bragança voltou a liderar a valorização anual (+36,8%), embora mantenha um preço médio de 130.000 euros. Também Portalegre (+24,2%; 149.000 euros), Viseu (+17,1%; 250.000 euros), Coimbra (+15,4%; 300.000 euros), Leiria (+12,0%; 350.000 euros) e Santarém (+12,0%; 280.000 euros) registaram desempenhos acima da média nacional, reforçando o dinamismo de vários mercados fora dos principais centros urbanos.
Nos mercados de maior dimensão, os sinais são distintos. Lisboa mantém o preço médio mais elevado do país, nos 610.000 euros, apesar de uma redução anual de – 4,8%. Ainda assim, recuperou 1,8% face a junho. Também o Porto registou uma subida mensal de 1,0%, fixando o preço médio nos 399.000 euros, embora permaneça -6,6% abaixo do registado em julho de 2025. Já Faro mantém-se como o segundo distrito mais caro do país, com um preço médio de 587.250 euros, mais 8,8% do que há um ano.
No mercado de arrendamento, o Sul destacou-se como a região mais dinâmica do país, registando um crescimento de 10,0% tanto em termos mensais como homólogos e elevando o preço médio para 1.100 euros por mês. O Norte manteve uma evolução anual positiva (+12,5%), com um preço médio de 900 euros mensais, enquanto o Centro apresentou um crescimento mais moderado (+3,9%), fixando o preço médio nos 800 euros por mês.
Ao nível distrital, Beja registou a maior valorização anual do país (+25,0%), aumentando o preço médio para 750 euros por mês. Também Faro (+16,3%; 1.500 euros/mês), Viseu (+15,4%; 750 euros/mês), Viana do Castelo (+12,5%; 900 euros/mês) e Leiria (+11,8%; 950 euros/mês) destacaram-se pelas maiores subidas anuais. Em termos mensais, Portalegre liderou a evolução nacional (+13,0%), elevando o preço médio para 650 euros por mês.
Apesar deste dinamismo, Lisboa mantém-se como o mercado de arrendamento mais caro do país, com um preço médio de 1.699 euros por mês. Ainda assim, o mercado permaneceu praticamente estável face a junho (-0,1%) e registou um crescimento anual de 3,0%, bastante inferior ao observado em vários mercados do interior e do Sul. Também o Porto apresentou um comportamento estável, mantendo o preço médio nos 1.200 euros por mês, sem variação mensal e com uma valorização anual de 9,1%.
Nas regiões autónomas acompanhadas pelo Imovirtual, a Madeira manteve uma evolução positiva na venda, com um preço médio de 590.000 euros (+2,6%), enquanto no arrendamento atingiu os 1.600 euros por mês, mais 6,7% face a junho, embora permaneça -8,6% abaixo do registado há um ano. Em São Miguel, o preço médio de venda fixou-se nos 380.000 euros (+0,3% mensal; -4,8% anual), enquanto o arrendamento valorizou 16,7%, atingindo os 1.400 euros por mês. Já a Ilha Terceira destacou-se pelo forte crescimento anual na venda (+60,5%), fixando o preço médio nos 297.000 euros, apesar de um ligeiro recuo mensal de 1,0%. No arrendamento, o preço médio situou-se nos 650 euros por mês, registando uma redução de 13,3% face a junho e de 7,1% em termos homólogos.
Os dados do Imovirtual mostram que a evolução do mercado imobiliário continua a ser marcada por dinâmicas distintas entre regiões, reforçando a importância de uma análise cada vez mais detalhada da evolução do setor em Portugal.
