Estalou o verniz entre o presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Amigos do Mosteiro de Rendufe (AAMR), Domingos Alves e o Presidente da direção, José Antunes.
A gota de água de uma relação que já não era famosa foi uma mensagem que Alves diz ter enviado e que Antunes diz não ter recebido sobre a última Assembleia Geral.
São duas versões para a mesma história. Domingos Alves quebrou o silêncio e ao ‘Terras do Homem’ contou a sua versão dos factos sobre a última Assembleia Geral da AAMR que se realizou ao ar livre e com a sua ausência.
Depois do adiamento da reunião por causa das imposições da pandemia, Domingos Alves a 09 de junho convoca a assembleia para o dia 20 de junho com três pontos em agenda: aprovação do plano de atividades e contas de 2019, o plano de atividades para 2020 e outros assuntos de interesse geral.
Um dia antes da reunião magna, o presidente da Assembleia envia uma mensagem a José Antunes dando conta que “por motivos profissionais, não poderá estar presente da reunião, que a mesma fica sem efeito, mas que aprova os documentos”.
Na mesma mensagem, Domingos Alves aproveita para apresentar a demissão do cargo.
Inicialmente a mensagem levava a data da reunião errada e Domingos Alves voltou a mandar uma mensagem corrigindo esse lapso. Fez o mesmo para todos os elementos por ele escolhidos para os órgãos da associação.
Ora Domingos Alves ficou tranquilo pois na sua “mente tinha enviado as mensagens para os fundadores”.
Posteriormente, numa conversa com João Paulo, elemento fundador, “perguntei-lhe porque tinha ido à assembleia quando eu lhe tinha enviado uma mensagem. Ele respondeu-me que a única mensagem que tinha recebido era a segunda que dizia ‘Peço desculpa pelo engano dia 20 e não 19 obrigado. Questionei-o se não tinha recebido uma mensagem anterior a esta, e ele disse que não. Fui buscar o telemóvel e mostrei-lhe a mensagem. Foi aí que dei conta que a mensagem que havia enviado para os cinco fundadores não tinha ido, mas também reparei que a mensagem enviada para o presidente José Antunes (que foi enviada a parte) tinha dado como enviada”.
“Uma armadilha”
Domingos Alves ficou convencido que a assembleia feral não se tinha realizado até ver uma notícia dando conta que a mesma tinha ocorrido: “Foi uma armadilha do presidente da direção. Ele armou tudo, pediu a sócios para irem à Assembleia que nunca tinham ido, chamou a comunicação social”, acusa o presidente da Assembleia.
A verdade é que as relações entre os dois já não estavam famosas: “quando havia reunião telefonava-me sempre e desde o início de 2019 deixou de o fazer. Como eu não sabia quando se realizavam deixei de participar e sabia das atividades pelo Facebook”. Domingos Alves diz ter confrontado José Antunes com o facto e a resposta foi: “agora a convocatória é feita por circuito interno”.
O presidente da Assembleia chegou a ir a reunião de direção em março deste ano. Domingos Alves não tem problema em admitir que “a culpa de toda esta situação é do presidente da direção” que diz “ser um ingrato, com muita revolta dentro dele” lembrando que “atualmente exerce dois cargos porque foi convidado para eles”.
Versão José Antunes
A versão do presidente da direção é diferente: comprova que recebeu a convocatória por email no dia 09 e que pediu a alteração inicial da hora das 15h00 para as 17h00 o que foi aceite por Domingos Alves. “A convocatória foi publicada e enviada por correio com a data de 20 de junho”.
José Antunes três dias antes perguntou a Domingos Alves quem iria abrir a porta da sede o que o presidente da Assembleia disse ser ele. “Nós não temos a chave porque ele decidiu trocar a fechadura. Sempre que necessito ir à sede tenho que pedir a chave”.
José Antunes garante que não recebeu a primeira mensagem só a segunda e achou que Domingos Alves se tinha enganado: “também não recebi nenhum email dando conta da sua ausência”.
O presidente da direção diz ao ‘Terras do Homem’ que se tivesse a mensagem ou o email “em dizendo que não ia estar presente, o que era perfeitamente normal porque as pessoas podem ter doenças e imprevistos de última hora, teria informado a Assembleia e agíamos em conformidade, tal como aconteceu”.
“Triste espetáculo”
José Antunes lamente que “tenhamos assistido a este comportamento que não dignifica a associação nem o cargo. Há normas que precisam ser cumpridas. Ele assinou o pacto de constituição, a provou o regulamento interno e ele sabe que não é assim que se fazem as coisas”.
Por isso, “foi um triste espetáculo para os associados, para a comunidade e para a própria Associação”.
Refuta, também, que tivesse convocado a comunicação social: “nenhum jornalista apareceu lá. Fui contactado por telefone por um jornalista e relatei o que se passou”.
Eleições
A demissão de Domingos Alves não deverá provocar mossa em termos práticos até porque no primeiro trimestre de 2021 haverá a preparação do ato eleitoral tal como previsto nos estatutos.
Mensagem enviada às 11h19 do dia 19 de junho
“Bom dia. Venho comunicar que a assembleia marcada para o dia 19 às 17 horas devido a questões profissionais não se vai realizar. Tendo as contas do ano de 2019 sido aprovadas pela direção e conselho fiscal ficam também por mim aprovadas. Faço voto de confiança em todos aqueles que convidei para esta instituição. Aproveito para comunicar o meu pedido de renúncia ao cargo que exerço nesta associação, agradecendo a todos os que acreditaram em mim e neste projeto. Votos que tudo corra pelo melhor. O fundador, sócio nº2. Presidente da Assembleia Domingos de Almeida Alves”.
Uma segunda mensagem viria a ser enviada corrigindo a data de 19 para 20 de junho.
