A Luz em Agosto

Voando Sobre um Ninho de Livros

Uma rapariga de 20 anos atravessa o Alabama a pé. Está grávida de seis meses e o seu destino é a cidade de Jefferson, no Mississipi, para onde acredita ter ido trabalhar o pai do seu filho. É uma tarde de Agosto e ela senta-se na estrada à espera de uma carroça que lentamente desce o caminho de pinheiros quietos, esmagados pela luz de Agosto. Assim começa A Luz em Agosto, de William Faulkner, recentemente reeditado pela Dom Quixote.

Cândida e corajosa, Lena Grove é o contraponto do personagem principal da história, Joe Christmas, um homem atormentado pela impossibilidade de pertença e por uma infância de maus-tratos e abandono. Tendo pele branca, traz consigo o pecado da suspeita de um pai negro, mancha fatal no Sul dos Estados Unidos. Dedica-se ao comércio ilegal de whisky e é violento, mata e agride sem querer e sem conseguir saber porquê. É um incêndio provocado por ele que anuncia a cidade a Lena: o incêndio da casa de Miss Burden, uma defensora dos direitos dos negros num ambiente hostil, que se torna amante e vítima de Joe. Na fúria com que a ataca, após uma última discussão, Joe quase que a degola, largando-a no quarto num mar de sangue.

É com Joe que vive e trafica o pai da criança de Lena, o traidor que o denuncia quando sabe que há uma recompensa pela descoberta de quem matou Miss Burden. E o cobarde que, detido pela polícia, foge espavorido quando, já perto do final do livro, ela o encontra.

Ao longo da história, outras personagens perdidas e marginais buscam conhecer-se e combater o destino, tal como Lena procura o pai do seu filho.

A luz em Agosto é abrasadora, sensual e dolorosa. Agora que o mês se aproxima, que tal, leitor, deixar-se submergir nela pela mão magistral de um dos maiores autores da história da literatura?

Manuela Barreto Nunes (Bibliotecária)

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