Exames – COVID – Tendências

Noutros anos, por esta altura, já cheira a férias. Este ano graças ao COVID, terminamos as aulas dos cursos profissionais na semana transata e, esta semana, continuamos com exames, reuniões de avaliação, reuniões de departamento…

Nos exames, para os alunos manterem o afastamento físico e social exigido, sensivelmente dois metros, houve a redução do número de alunos por sala – 10 na ESVV. Esta preocupação, em época de exames, desaparece no início do próximo ano letivo. Segundo o ministério da educação, para o ano, as escolas devem criar condições para os alunos manterem distanciamento de 1 metro, SE POSSÍVEL. Reduzem a distância a metade e utilizam aquela palavra onde tudo cabe – SE POSSÍVEL. Na gíria futebolística eu traduziria para “tudo ao molho e fé em Deus”.

Voltando aos exames, tudo correu pelo melhor e com tão poucos alunos em cada sala, vigiar, passou a ser uma tarefa hercúlea. Tão afastados estavam que copiar era uma impossibilidade real. Para além disso a desinfeção ao entrarem, acredito, limpava-lhes também as ideias impuras que pudessem ter.

Assim sendo, pouco mais restava aos vigilantes do que arranjar com que se entreterem durante 3h00m ou 2h30m. No meu caso ao vigiar um exame de matemática do 12º ano e um de biologia do 11º ano, deu-me para perceber certas tendências da moda e outras, nos estudantes de hoje em dia.

Assim no que ao calçado se refere, não há diferenças significativas nas escolhas dos alunos dos dois anos de escolaridade, a Adidas lidera, seguida da Nike e Puma. Subindo no corpo humano e atendendo a que a elevada temperatura nos dois dias era semelhante, concluo que os alunos do 11º ano estão a desenvolver maior capacidade de adaptação às altas temperaturas, pois enquanto no 12º ano, 40% dos alunos tinha calções, no 11º apenas 20% estavam com pernas à mostra. Nas calças, a ganga lidera por larga margem. A % de esquerdinos a nível mundial – que dizem ser de 10% – estava correta nos dois exames que vigiei, um aluno em cada sala era canhoto assumido. No que se refere a máscaras pessoais, que os 100% dos alunos são obrigados a usar, verifiquei que maioritariamente são descartáveis – made in China – mas sensivelmente 30% usam máscaras personalizadas. No 12º ano, 60% dos alunos usavam óculos enquanto no 11º apenas 40%. Duas ilações opostas se podem tirar destas percentagens: ou pioram do 11º para o 12º ano ou…a “nova geração” que se inicia com o 11º ano está a ver melhor.

A única coisa permitida na mesa, além do CC e do material necessário à realização da prova é uma garrafa de água. 60% dos alunos usaram essa benesse. Eu penso que todos deviam, pois com a garrafa na mesa há sempre justificação para, de vez em quando, respirar um pouco melhor, tirando a máscara para beber – ou a simular fazê-lo.

Por fim, algo que me assustou deveras, nas salas em que estive. A % de alunos e alunas. No 12º ano, 80% de alunas e 20% alunos; no 11ºano 100% de alunas. Temo que se esteja a criar uma tendência para o desaparecimento dos rapazes na ESVV.

 

Carlos Mangas (Professor de Educação Física)

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