Curso de Restaurante e Bar da EPATV apresentou provas finais

O Diretor da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT) afirmou hoje, aos 16 jovens finalistas do Curso de Restaurante/Bar da Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV): “os conhecimentos que adquirem nesta escola são a chave que vos abre qualquer porta no futuro”.

Camilo Sousa falava durante a Prova de Aptidão Profissional (PAP) de Joana Teixeira e Liliana Vieira sobre a Doçaria portuguesa coroada com a demonstração da confeção de um Pudim Abade de Priscos.

O Diretor responsável pelas Escolas de Hotelaria, Restauração e Turismo de todo o Norte do País, da APHORT, destacou que o ensino profissional nesta área tem uma quota parte importante no sucesso do Turismo enquanto fonte de riqueza de Portugal, pela qualidade dos seus profissionais neste sector económico.

As duas jovens viajaram até Beja, onde, no Convento da Esperança, no séc. XV, terá nascido a primeira receita de doçaria portuguesa e regressaram a Priscos para Falar do Pudim do Abade, após etapas em Fão para saborear as Clarinhas e no Toucinho do Céu transmontano.
Destacaram a higiene e segurança neste trabalho (corporal, roupa, cabelos, unhas e sem jóias) para que possa ser assegurada a “sua singularidade na gastronomia e na cultura pela sua imensa variedade”.

“Foram audazes. O tema é muito… doce e estas receitas fazem a diferença de Portugal com outros países”, disse Camilo Sousa antes de ouvir a Joana, já destacada com um quarto lugar no WorldSkills, campeonato das profissões, em Setúbal, afirmar que vai seguir estudos em turismo ou gestão hoteleira enquanto a Liliana vai ser mãe.

Além de Camilo Sousa, o Júri integrava Sandra Monteiro (Diretora Pedagógica da EPATV), Olga Martins (Diretora do Curso), Daniela Matos (Diretora de Turma), o prof. José Antunes, o prof. António Igreja e os alunos, apesar das limitações da Covid 19, surpreenderam os jurados com vídeos que mostraram o seu trabalho prático e com a qualidade com que desenvolveram os temas.

Olga Martins elogiou esta turma pelo “envolvimento dos seus alunos no projeto Eco-Escolas, pela divulgação dos produtos locais, pela promoção de alimentação saudável e pela motivação que presidiu à elaboração das suas PAP’s”.

A manhã abriu com uma proposta de Juliana Coelho e Tiago Braga de divulgação dos produtos locais da CIM (Comunidade Intermunicipal) do Cávado no âmbito do programa KM0 que dinamiza a economia local, poupa energia, preserva variedades locais e artesanais, mas amigas do ambiente que geram mais emprego e combatem o despovoamento rural.

Além disso, preservam a cultura e tradições ancestrais que alicerçam a nossa identidade regional e nacional, contribuem para reduzir a pegada ecológica, evitando sacos de plástico, mudando a alimentação, diminuindo o consumo de água e valorizando os produtores da nossa terra.

A prova terminou com pequenas reportagens e entrevistas com responsáveis de empresas locais, como a QueijArte, PintoBar, Meatrading, Groselha Espim, Terras de Amares, Quinta Villa Beatriz, Casa da Tapada e Frutas Douro ao Minho.

Sara Luísa Gonçalves dissertou sobre as dietas alimentares, como a Climatarian (com base em produtos da época, menos carne, mais dieta mediterrânica, menos transportes longínquos de bens, menos plástico e menos consumo de água. Apresentou também outras dietas como a Low Carb, a Ravenna, Dukan Detox, vegetarianismo, Veganismo, Omnívora, paleolítica para concluir pela necessidade de reeducação alimentar. Terminou a participação com a produção de um gelado sem açúcares e gorduras.

As cervejas artesanais foram o tema escolhido por Diogo Machado e Rafael Silva que viajaram desde os 4000 anos antes de Cristo, na Mesopotâmia, até ao nosso tempo, descrevendo as formas de produzir cerveja industrial e artesanal, esta “melhor, com mais malte, aroma mais intenso e mais cara”. A PAP traduziu-se num canapé de frutos e numa cerveja Letra A, fabricada em Vila Verde.

Outra bebida muito apreciada nos nossos dias é o Gin, nascido na Holanda para curar doenças renais e implantado na Inglaterra no séc. XVII para se tornar a bebida mais consumida no século seguinte, trazido à sala por Luís Miguel Fernandes e Dinis Vieira.

Feito a partir do zimbro, cereais e especiarias, os finalistas descreveram os vários tipos de Gin, sem esquecer o Gin Gina, de Braga, ou o Sharish, de Monsaraz. A PAP traduziu-se na confeção de dois Gin’s tónicos com cocktails de frutos vermelhos à base de Gin.

Ricardo Castro apresentou as regiões demarcadas de vinhos, castas e características, as cinco etapas para servir vinho num bar ou restaurante que devem ter em conta a temperatura, abertura da garrafa, escolha do copo, quantidade de vinho e servir sem sujar a toalha. A PAP culminou com a abertura de uma garrafa com tenaz.

A descrição do passo a passo para abrir um restaurante foi o tema de José Antunes e Filipe Cunha que abordaram ainda os jardins de plantas aromáticas, a gestão de desperdícios, o serviço num restaurante em tempo de pandemia, com cumprimento de todas as regras da DGS, um tema pertinente.

A visita a produtores de vinhos verdes foi a aventura de Daniel Santos e Rafael Oliveira: levaram o júri até 1908, data da criação da maior Região Demarcada de Vinhos em Portugal, com nove sub-regiões.

Os dois finalistas visitaram e filmaram a Quinta de Amares, a Terras de Amares e a Quinta de Tamariz, antes de apresentarem um cocktail de vinho verde, numa bela tentativa de promoção das nossas riquezas.

Por fim, vieram os espumantes por Carlos Araújo e Marco Rodrigues que colocaram as mãos no vinho com gás carbónico, na segunda fermentação, e brindaram os jurados com dois serviços de champanhe através de sangrias com vinhos branco e tinto. A manhã terminou com um lamento do Prof José Antunes: “Já o disse e repito hoje. É uma pena que o Marco não queira continuar a estudar. Tens todas as qualidades para prosseguir”. O aluno não fechou a porta, após este apelo já feito há dois anos pelo mestre.

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