Veneza travou a subida das águas pela primeira vez em 1.200 anos

Pela primeira em 1.200 anos, a cidade italiana de Veneza foi capaz de travar a subida das águas recorrendo a barreiras móveis recentemente instaladas no mar.

Em causa está o sistema de defesa MOSE, nome italiano para para Moisés, derivado do Modulo Sperimentale Elettromeccanico (Módulo Eletromecânico Experimental).

Visando reter a subida das águas e a consequente inundação das cidades, este sistema é constituído por 78 barreiras que foram colocadas no fundo do mar nos três principais pontos de entrada da lagoa, detalha a emissora norte-americana CNN.

Quando chega a maré alta, estas barreiras são acionadas e sobem para formar uma espécie de barragem, impedindo o Mar Adriático de inundar a cidade.

Em julho passado, o sistema foi testado com sucesso numa tentativa que contou com a presença do primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, mas, na altura a maré estava baixa e, por isso, o grande teste deste sistema foi no sábado passado, 3 outubro.

O sistema, que está agora funcional depois de anos de polémicas e atrasos, voltou a funcionar, num dia em que as previsões meteorológicas não eram animadoras: previa-se maré alta de 135 centímetros, o que, por norma, pode inundar metade da cidade.

Às 12h05, na maré alta, a Praça de São Marcos – que começa a inundar a apenas 90 centímetros e deveria estar já com níveis de água pela altura dos joelhos – estava praticamente seca, tendo apenas grandes poças junto dos ralos.

Os cafés e lojas nas proximidades da praça, um dos espaços de Veneza mais procurados pelos turistas, continuaram abertos, não sendo afetados pela água.

Em declarações à CNN, o veneziano Sebastian Fagarazzi, que mora no rés-do-chão e, por isso, está acostumado a mover móveis e eletrodomésticos durante a maré alta para os salvar das inundações, disse que, desta vez, não o fez.

“Ouvi as sirenes [de alerta] pela manhça, mas não levantei nenhum dos meus móveis porque a barreira foi levantada no último teste e eu tinha fé de que iria funcionar”, disse Fagarazzi, co-fundador da iniciativa social Venezia Autentica.

E funcionou. “Isto é histórico”, frisou ainda.

“O ano passado foi traumático – ouvíamos as sirenes e eram imparavéis. Acho que ainda não compreendemos o quão incrível é esta a notícia. Este é um novo dia para Veneza porque é a primeira vez em 1.200 anos [desde que a sede do poder se mudou para a Praça de São Marcos] que a maré alta não danos à cidade”.

“Para os venezianos, parece o primeiro passo de Armstrong na Lua“.

ZAP //

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