Se o projeto de lei proposto por Joe Biden, recém-eleito Presidente dos Estados Unidos, for aprovado, a palavra alien (“estrangeiro”) vai desaparecer das leis de imigração norte-americanas, sendo substituída pelo termo noncitizen (“não cidadão”). A medida visa reconhecer os EUA como “uma nação de imigrantes”.
O Código de Leis dos Estados Unidos (US Code) define alien como “qualquer pessoa que não seja cidadão ou nacional dos Estados Unidos da América”. Este termo foi frequentemente invocado pelo ex-Presidente Donald Trump nos seus discursos, cada vez que alertava para o que considerava serem os perigos da “imigração ilegal”.
“A mudança de linguagem no primeiro dia deste Governo, que conta com Kamala Harris, filha de imigrantes, não é apenas simbólica, é fundamental”, disse José Antonio Vargas, um imigrante sem documentos representante da organização Define American.
“A forma como descrevemos as pessoas é duradoura e afeta a maneira como as tratamos. A forma como falamos sobre os imigrantes molda a política”, acrescentou em declarações à CNN.
Em 2015, a California eliminou o termo alien do código de trabalho do Estado e, no ano passado, Nova Iorque removeu a palavra do estatuto e código administrativo.
Nas diretrizes, a cidade baniu o termo illegal alien quando usado “com a intenção de degradar, humilhar ou assediar uma pessoa”. A violação da diretriz pode resultar em multas de até 250 mil dólares.
No ano passado, dois legisladores do Colorado apresentaram um projeto de lei para substituir o termo por undocumented immigrant (“imigrante sem documentos”), mas nunca foi submetido a votação no Senado.
Agora, foi a vez de Joe Biden, que propôs um projeto de lei que, se for aprovado, vai banir a palavra alien das leis de imigração norte-americanas, sendo substituída pelo termo noncitizen (“não cidadão”).
Vargas referiu à CNN que o esforço do novo governo em usar uma linguagem mais respeitosa lhe dá esperança de que as opiniões de alguns norte-americanos sobre os imigrantes sem documentos também possam mudar.
Mudar apenas uma palavra pode ter um impacto de longo alcance para milhões de pessoas, defende. “A linguagem tem poder.”
Liliana Malainho, ZAP //
