Alguns séculos antes de Cristóvão Colombo chegar à América, um pequeno grupo de nórdicos já tinha explorado uma parte do continente. Contudo, por enquanto, a única prova da sua presença é um local que foi explorado por arqueólogos.
Vinland, ou a “terra do vinho”, não está assinalada em nenhum mapa moderno, mas há cerca de mil anos foi palco de uma invasão viking.
As sagas islandesas registam-no como o local onde os vikings se tornaram os primeiros europeus a pisar o chamado “Novo Mundo”, chegando a construir uma povoação de curta duração.
No final da década de 980, os marinheiros nórdicos já tinham estabelecido colónias na Islândia e na Gronelândia. A partir daí, e de acordo com os relatos da época, os Vikings tropeçaram na América do Norte – mais concretamente na costa canadiana, por volta do ano 1000.
Durante as décadas seguintes, fizeram várias expedições no local, construíram casas, colheram recursos naturais, negociaram e entraram em confronto com os nativos. A aldeia onde viviam era composta por pelo menos oito edifícios: três residências, uma forja, uma serragem para abastecer, um estaleiro e três armazéns.
Os vikings aventuraram-se na América do Norte tornando-se as primeiras pessoas a superar a divisão cultural mais antiga do mundo.
Uma das razões que os atraiu até àquele local foi o facto da região estar repleta de uvas selvagens – o ingrediente chave do vinho – que não crescia perto da sua terra natal.
Contudo, o grupo de nórdicos acabou por ficar pouco tempo na região.
“Acho que este era um lugar onde pretendiam ficar por muito tempo, mas, de acordo com as evidências arqueológicas, não aconteceu”, referiu Birgitta Wallace, arqueóloga sueco-canadiana.
Os vikings parecem ter ficado em L’Anse aux Meadows – nome pelo qual a região é agora conhecida – por poucas décadas e depois voltaram para a Gronelândia.
Segundo o Discover, para uma cultura tão resistente, capaz de sobreviver ao rigoroso clima do norte, é estranho que não tenham conseguido permanecer nesta região. No entanto, os especialistas têm algumas hipóteses para explicar esta saída repentina.
Uma das suposições é que foram expulsos pelos nativos – um problema que nunca enfrentaram na Gronelândia e Islândia.
Outra hipótese é que uma combinação de fatores forçou o grupo a navegar de volta ao local de origem. Wallace sublinha que a base na Gronelândia era escassa e pode ter sido insustentável usar uma colónia tão distante.
Por outro lado, evidências climáticas sugerem que a saída também coincidiu com uma onda de frio e, provavelmente, com um avanço do gelo do mar, tornando difícil fazer viagens frequentes entre a Gronelândia e Vinland.
Atualmente, o sítio arqueológico de L’Anse aux Meadows é a única prova de que os vikings marcaram presença na América do Norte. As evidências da presença viking no local foram descobertas em 1960 pelo explorador norueguês Helge Ingstad e pela sua esposa, a arqueóloga Anne-Stine Ingstad.
Ana Isabel Moura, ZAP //
