Dinamarca e Canadá estão em “guerra“ há décadas, mas a sua arma são as bebidas

Pode não parecer, mas a Dinamarca e o Canadá – dois dos países mais desenvolvidos do mundo – estão em guerra há décadas. O motivo prende-se com o desejo de posse de uma pequena ilha completamente desabitada. Contudo, nesta guerra as armas são bastante diferentes.

A pequena ilha que dinamarqueses e canadianos têm disputado chama-se Ilha Hans e conta com apenas 1,3 quilómetros quadrados de área.

O pedaço de terra deserto está localizado no Ártico, mais especificamente, no Estreito de Nares – que separa a ilha de Ellesmere, que pertence ao Canadá, do norte da Gronelândia.

Porém, essas águas fazem parte do território marítimo da Dinamarca e do Canadá e a ilha fica precisamente nesse local, por isso não tem uma soberania concreta.

No meio da disputa, o mais caricato é a forma como os dois países disputam o território, sobretudo no que diz respeito às ”armas” que são usadas.

De forma periódica, os soldados canadianos vão até a ilha, encontram uma bandeira hasteada pelos dinamarqueses e várias garrafas de schnapps – uma bebida destilada produzida na Europa.

Quando chegam, arrancam a bandeira dinamarquesa, hasteiam a do seu país no mesmo lugar, levam as garrafas de schnapps consigo e deixam garrafas de uísque no mesmo sítio.

Passado algum tempo, os dinamarqueses voltam a Hans e fazem a mesma coisa, ou seja, trocam a bandeira canadiana pela do seu país, levam as garrafas o uísque e deixam mais schnapps para os “inimigos”, reiniciando assim o ciclo.

Os militares também deixam bilhetes uns para os outros, onde se podem ler mensagens como: “Bem-Vindo à Ilha do Canadá” ou “Bem-Vindo à Ilha da Dinamarca”. Esta situação acontece desde o início dos anos 80.

Devido às armas usadas pelos dois países, o conflito é conhecido como “Guerra do Uísque” e, ao que tudo indica, a situação não tem data para terminar, diz o site UOL.

A importância da ilha
De acordo com as leis internacionais, todos os países têm direito de declarar soberania de qualquer território que se encontre até 20 quilómetros da sua costa, e a Ilha de Hans situa-se numa posição que a deixa dentro dos limites do Canadá e da Dinamarca.

Na verdade, a disputa pela ilha já se arrasta há mais de 200 anos e, em 1933, o Tribunal Permanente de Justiça Internacional decidiu que Hans pertencia aos dinamarqueses.

No entanto, o tribunal foi dissolvido nos anos 40 e a decisão acabou por ser invalidada.

Mais tarde, surgiu a Segunda Guerra Mundial e, depois, a Guerra Fria, e quando o mundo se tornou num lugar mais pacífico, os canadianos voltaram a lembrar-se da ilha e resolveram recomeçar uma nova “guerra“.

Em Hans, não existem recursos naturais, nem reservas de petróleo ou gás natural, por isso o interesse dos dois países pode parecer surpreendente.

Contudo, questões relacionadas com o aquecimento global e o derretimento acelerado do gelo no Ártico criaram novas motivações. A possível abertura de novas rotas marítimas na região é uma hipótese em situações de bloqueio de gelo, por isso quem detiver o direito de passagem poderá ganhar bastante com o tráfego de embarcações e mercadorias.

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