Mudam-se os tempos…mudam-se as prioridades

Com o passar dos anos vamos alterando hábitos e rotinas, também em função da profissão e locais de trabalho. Desde o início da minha carreira profissional no ensino, até há uma década, sensivelmente, sempre acumulei a profissão docente com a de treinador e/ou coordenador no futebol de formação. As férias e os momentos de lazer eram diminutos porque, pouco depois de acabarem as aulas e trabalho escolar, iniciavam-se os treinos no futebol de formação. Nestes últimos anos com a escola a ser local de trabalho a tempo inteiro, há mais tempo de férias e as preocupações passaram a ser outras.

A responsabilidade de debitar opiniões, quinzenalmente, em dois jornais regionais levaria a que após terminar a Copa América e o Euro, ambas as competições conquistadas por seleções com um adepto especial, o Papa Francisco – depois digam que não há ajudas Divinas no futebol – o normal seria fazer um artigo a versar sobre essas competições. Mas, com o avançar da idade, o futebol deixou de ter aquele espaço primordial da minha atenção diária – embora continue a acompanhar – valorizando preferencialmente outras situações/acontecimentos. Desde logo a saúde, a própria e a de familiares e amigos. Quando somos novos, sofremos de dores de crescimento, depois, com o avançar da idade começamos todos a ficar mais suscetíveis às dores de envelhecimento, próprias, e dos próximos e é isso que nos preocupa. Resta-nos fazer os possíveis por apoiar/ajudar como gostaríamos de ser apoiados/ajudados. Ser familiar ou amigo, é isso mesmo – estar presente, SEMPRE que necessário.

Depois surgem as questões profissionais daqueles colegas que estiveram sempre connosco, com quem tens relação laboral de mais de duas ou três décadas e que, por isso mesmo, já são outra espécie de família. Quando, como sucedeu este ano, o recém concurso de colocação de professores leva alguns para outras escolas, e a idade da reforma leva outros, ficas simultaneamente, zangado/feliz. Zangado porque sentes que a escola e consequentemente os nossos alunos ficam a perder por deixarem de contar com profissionais de excelência que ao longo de inúmeros anos deram o seu melhor em prol dos alunos. Feliz, porque entendes que se os colegas vão mudar de escola – ou optam pela reforma antecipada – é porque percebem que nesta fase da sua vida é o melhor para si. Motivos que a cada um respeitarão.

Depois tens o outro lado da moeda, se estes saem, alguém entra para o lugar deles. E quando, como acontece no teu grupo disciplinar, sai uma colega, por ter atingido – antecipado – a idade da reforma e quem a substitui já foi teu aluno e tens dele a melhor das impressões, como docente também – por ter feito estágio na escola – então a tristeza da saída da profissional de excelência – Luísa Araújo – é menorizada pela qualidade da contratação.

Agora, já com dois ex-alunos como colegas de docência e efetivos na ESVV posso começar a pensar na reforma também, pois tenho quem me substitua com qualidade acrescida devido à paciência da (menor)idade e ainda tenha uns resquícios na memória do que passou comigo, enquanto aluno e, assim, possa fazer com que os netos dos meus ex-alunos passem pelo que passaram os…avós.

 

Carlos Mangas [Professor de Educação Física]

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