Supercanhão de Hitler foi um autêntico fiasco: cinco anos de construção, duas semanas de combate

Antes e durante a II Guerra Mundial, Adolf Hitler quis demonstrar o seu poder através de megaestruturas civis e militares. Schwerer Gustav, um canhão montado numa ferrovia, era um dos projetos mais ambiciosos. Mas, apesar de ter sido a maior peça de artilharia de toda a lista, só foi usada durante duas semanas.

No livro Máquinas de Guerra, José Antonio Peñas Artero lembra que foi o próprio Hitler a encarregar Gustav Krupp von Bohlen, um poderoso empresário siderúrgico que dirigia a empresa Krupp AG, de construir o canhão em 1936.

O orçamento para o desenvolvimento do canhão gigante, com 43 metros de comprimento, quase 1.400 toneladas e calibre de 80 cm, girou em torno dos dez milhões de marcos (cerca de cinco milhões de euros). O equipamento demorou mais do que o esperado e, quando ficou pronto, cerca de cinco anos depois, os nazis já dominavam França.

Os líderes militares do Reich não quiseram desperdiçar a sua arma e começaram a usá-la para disparar cartuchos de sete toneladas a uma distância de 39 quilómetros, na Operação Azul, a ofensiva no Cáucaso com a qual procuravam negar aos soviéticos o acesso aos recursos petrolíferos da área.

Segundo o El Español, Schwerer Gustav foi utilizado pela primeira vez em junho de 1942, durante o cerco de Sebastopol. No final da batalha, foi transportado para os arredores de Leningrado, onde voltaria a ser utilizado no cerco da cidade. A contra-ofensiva soviética acabou por abortar os planos e, segundo alguns relatos, o canhão só foi disparado novamente em 1944, fora de Varsóvia.

A Krupp AG aventurou-se no fabrico de uma segunda arma gigantesca, mas nunca entrou em combate. O site do Imperial War Museum explica que o Schwerer Gustav 2 foi guardado em 1943 no campo de tiro de artilharia de Rügenwalde, na costa polaca, a oeste de Gdansk.

Hitler ficou fascinado com este protótipo de canhão monstruoso, mas o custo e o seu uso limitado mostraram que não fazia sentido gastar tantos recursos na sua criação.

O diário espanhol destaca que, motivado pela monumentalidade inútil que encantava o Führer, o exército nazi desenvolveu outros projetos fantasiosos que pouco contribuíram para o esforço de guerra.

José Antonio Peñas Artero cita alguns na sua obra, como o forte Kristiansand, na Noruega, uma enorme torre de betão, com paredes de quatro metros de largura, que deveria proteger torres de artilharia. Só tinha um problema: o facto de o desembarque dos Aliados ter sido feito a quilómetros de distância.

ZAP //

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