Dicionário de Mulheres Rebeldes

Chamava-se Hipátia, e viveu em Alexandria entre 355 e 415 d. C.. Foi filósofa e astrónoma, a primeira mulher da História a ser reconhecida como Matemática. Devemos-lhe a compreensão dos conceitos de hipérboles, parábolas e elipses. No auge dos debates entre cristãos e pagãos foi perseguida pelo bispo de Alexandria, Cirilo, e acabou morta por apedrejamento às mãos de uma turba de cristãos enraivecidos – quem lembra hoje Hipácia?
Chamava-se Alexandra Kollontai e nasceu em S. Petersburgo em 1872. Em 1905 lançou as bases do movimento feminista na Rússia. Defendeu o direito das mulheres a salário igual, aos cuidados de maternidade, às creches e à saúde reprodutiva. Acreditava no amor livre. Socialista, foi a primeira comissária da Assistência Pública logo após a revolução de 1917. As suas ousadas posições sobre a moral sexual provocaram o afastamento do país. Opositora de Estaline, morreu ostracizada em Moscovo, em 1952 – quem lembra hoje Alexandra Kollontai?
Chamava-se Amelia Earhart e não chegou a completar 40 anos. Pioneira da aviação, em 1928 consagrou-se como a primeira mulher a voar sozinha sobre o oceano Atlântico. Defendeu os direitos das mulheres, pugnando pela formação de mulheres piloto e foi a primeira presidente da associação americana de mulheres piloto. Desapareceu no Pacífico, em 1938, com o seu navegador de voo, quando tentava efectuar a mais longa viagem aérea à volta do mundo até então realizada – quem lembra hoje Amelia Earhart?
Chamava-se Ana de Castro Osório e nasceu em Mangualde em 1872. Fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e lutou pelo direito das mulheres ao voto e ao exercício autónomo de uma profissão. Participou na elaboração da lei republicana sobre o divórcio e escreveu Às mulheres portuguesas, o nosso primeiro manifesto feminista. É considerada a fundadora da literatura infantil em Portugal – com que frequência é lembrada esta figura ímpar da História recente?
Das mulheres, reza pouco a Historiografia oficial. É o seu papel na roda da vida que recorda este Dicionário de mulheres rebeldes, de Ana Barradas (Editora Ela por Ela, 2006) que, surpresa atrás de surpresa, nos faz conhecer a saga de mulheres valorosas que contradizem as antigas mas ainda presentes teses sobre a existência de um tal “sexo fraco”.

 

Manuela Barreto Nunes [Bibliotecária]

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