Um casal de Amares fortemente indiciado por promover a prostituição a 150 euros à hora, num apartamento de luxo na cidade do Porto foi caucionado com um total de 80 mil euros, tendo que apresentar-se três vezes por semana no Posto Territorial da GNR de Amares e está proibido de contactar vítimas e testemunhas do processo a cargo da Polícia Judiciária.
Pedro Pinto, de 46 anos, terá que pagar uma caução de 50 mil euros, enquanto a mulher, Tânia Caetano, de 35 anos, uma caução de 30 mil euros, além da proibição de contactos com as vítimas, três mulheres, com nacionalidade brasileira, todas sujeitas a explorações sexuais, segundo a Polícia Judiciária revelou, depois das buscas na quinta, situada na Rua do Sobrado, em Fiscal, Amares, onde um alegado “hotel canino de cinco estrelas” seria o negócio de fachada do casal que terá ganho mais de meio milhão de euros com os crimes.
Uma outra suspeita, que ajudava na gestão do apartamento, na cidade do Porto, Catarina Rodrigues, de 42 anos, terá de apresentar-se uma vez por semana na PSP do Porto e pagar uma caução carcerária de sete mil euros, segundo determinou o juiz de instrução criminal.
O casal, assim como aquela colaboradora, está indiciado por crimes de crimes de tráfico de pessoas, lenocínio agravado, auxílio à imigração ilegal, fraude fiscal e branqueamento, tendo sido detidos pela Secção Regional de Combate ao Terrorismo e Banditismo da Diretoria do Norte da PJ (Porto), que investiga os crimes mais graves contra a humanidade.
Segundo referiu a PJ, “os três arguidos, de forma concertada desde há cerca de seis anos, vinham recrutando mulheres no Brasil, para as explorarem sexualmente, assim auferindo grandes proveitos financeiros”, especialmente o casal.
O esquema passava por o casal, residente em Amares, “proporcionar condições materiais para a vinda” das jovens brasileiras, “pagando-lhes primeiro as viagens de avião e depois o alojamento, prometendo que lhes tratariam do processo de legalização no nosso pais”, refere a PJ, explicando que “chegadas a Portugal”, as mulheres, “oriundas do Brasil, eram instaladas num apartamento na cidade do Porto, retiravam-lhes os documentos pessoais e eram pressionadas a manter relações sexuais com um maior número possível de clientes”.
Ainda segundo a PJ, “o dinheiro resultante da prática da prostituição era maioritariamente retido pelos arguidos, alegando serem os custos das viagens, o alojamento e o pagamento da publicitação dos serviços sexuais, através dos seus anúncios nos jornais e na internet”.
Canil para “lavar” dinheiro da prostituição
Um canil, supostamente hotel de “cinco patas” (cinco estrelas), serviria para branquear o dinheiro da prostituição, pelo menos meio milhão de euros, sendo que a maior parte dos bens foram já apreendidos e serão perdidos, definitivamente, em princípio, a favor do Estado, por terem todos proveniência criminosa, depois do processo transitar em julgado.
Desde um Porsche Panamera a uma carrinha Mercedes CLS, até armamento, como uma carabina com mira telescópica e silenciador, foram confiscados pela PJ, na quinta, situada na freguesia de Fiscal, onde na vizinhança ninguém desconfiava dos crimes.
Nesse apartamento, situado num sétimo andar da urbanização da chamada Zona Nova da Areosa, funcionava um autêntico cabaret, a que os clientes acediam por uma porta própria que não a entrada principal, com um elevador exclusivamente ao serviço dos interessados, que dispunham de todos os serviços, desde relações sexuais, até jogos, com fetiches, massagens e outras atividades.
