A Mata de Palheiros, situada na margem direita do rio Homem, a montante da Albufeira de Vilarinho da Furna, na freguesia do Campo do Gerês, em Terras de Bouro, é o espaço mais bem guardado de toda a região, constituindo a zona mais recatada, só foi possível por ser Área de Proteção Total, interdita a sua visitação pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
O espaço é constituído por um habitat reliquial, também importante área de refúgio e de tranquilidade, para as várias espécies de fauna e flora protegidas, razão pela qual foi integrada numa Área de Proteção Total, que por definição “compreende os espaços onde predominam valores naturais físicos e biológicos, cujo significado e importância do ponto de vista da conservação da natureza, são excecionalmente relevantes”, segundo o ICNF.

É uma zona reservada do Gerês e abrange a Área de Proteção Total (Mata de Palheiros), mais a Área de Proteção Parcial I (Mata de Albergaria), integrando a Reserva Biogenética Albergaria/Palheiros, do Parque Nacional da Peneda-Gerês, constituindo-se como o único carvalhal climáxico de carvalho-alvarinho em Portugal e dos poucos na Península Ibérica.
Trilho das Sete Pontes
O Trilho das Sete Pontes não é por norma autorizado para fins de visitação, dado que se pretende “manter todas aquela zona o mais isenta possível de presença humana, devido à importância da sua conservação e para a consciência coletiva da responsabilidade que a todos cabe na sua preservação”, referiram ao Terras do Homem fontes oficiais do ICNF.
Quem a partir da Mata de Albergaria, ido da zona dos antigos viveiros de trutas, atravessar a Ponte Feia, depara-se logo, já na outra margem do rio Homem, com uma placa vertical, do ICNF, referindo tratar-se de uma Área de Proteção Total e sendo interdita a passagem, apenas podendo por ali circular em passagem naturais e/ou residentes na zona do parque, situação que se repete no acesso através de Calvos ao lado da Fronteira de Portela do Homem.

No caso concreto, munidos da respetiva autorização do ICNF, com limite de apenas duas pessoas (nunca se deve andar sozinho pela montanha, esta é a primeira regra para qualquer caminhante nas zonas altas), a reportagem do Terras do Homem subiu pelo caminho, sempre atenta aos declives e ao solo rugoso, bem como à vegetação muito espessa, especialmente, no topo do Vale do Homem, onde o perigo de escorregar é real ao contornar a Ravina de Palheiros.
De alguns penedos, mesmo abaixo do Cabeço de Palheiros, vislumbra-se em todo o seu esplendor a Albufeira de Vilarinho da Furna, de cuja aldeia, afundada há já 50 anos, para dar lugar à barragem da EDP, passavam por estas encostas os pastores com o gado a caminho do Curral de São Miguel, onde ainda hoje está uma placa a assinalar tratar-se de propriedade dos herdeiros deste mesmo povo, da Associação dos Antigos Habitantes, que todos os anos reúnem, no Museu de Vilarinho da Furna, para tratar assuntos comuns.
Rui Barbosa, montanhista no caminho
O montanhista Rui Barbosa, residente na vizinha aldeia de Campo do Gerês, foi ao longo de todo o dia, a única pessoa que passou pela Mata de Palheiros, já perto das ruínas da Casa do Guarda Florestal, destruída há muitos anos por um incêndio.

Diz-se pelas redondezas que a sua mulher seria dada às coisas da bruxaria, constando também que essa mesma casa em pedra chegou a albergar reuniões clandestinas do Exército de Libertação de Portugal (ELP)/Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), durante o chamado “Verão Quente” que se seguiu à Revolução dos Cravos, o 25 de Abril de 1974.
Rui Barbosa, fazendo uma pausa na sua travessia, em dia de folga da atividade de guia de montanha, explicou ao Terras do Homem “tratar-se de uma das principais zonas de proteção total do Parque Nacional da Peneda-Gerês, pelas reservas de fauna e flora, com espaços que são únicos, na Península Ibérica, daí ter consciência que estas zonas deverão ser extremamente condicionadas a visitas, o caso emblemático desta Mata de Palheiros”.
“Aqui encontramos uma quantidade peculiar a nível de flora, mas principalmente a fauna, numa zona onde não é difícil no final de verão princípio do outono ouvirmos as bramas de veados, assim como javalis e corços, tal como o lobo, pois este é o seu território”, salientou Rui Barbosa.
Multas de 280 euros
A importância da preservação da Mata de Palheiros leva a que quem for encontrado sem a respetiva autorização do ICNF, seja alvo de uma multa, de 280 euros, tal como de resto com todas as outras áreas de proteção tota, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), cabendo a sua supervisão à Divisão de Cogestão de Áreas Protegidas do Norte, do ICNF.
Os vigilantes da natureza do ICNF, ou os guardas florestais da GNR, bem como o Posto de Busca e Resgate em Montanha (PBRM) do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, ao intersetarem nesta zona alguém não autorizado, levantam de imediato um auto de notícia e aplicam a coima, de 280 euros.
Os elementos dos Postos Territoriais da GNR da Vila do Gerês ou de Terras de Bouro, a par da sua Equipa de Proteção Natureza e do Ambiente em Zona Específica (EPNAZE), do Destacamento Territorial da GNR da Póvoa de Lanhoso, que integra também aquela zona, dispõem de uma embarcação a motor para as áreas fluviais.
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