A ‘startup’ Sequoia, aplicação dirigida à saúde sexual dos homens, marcou presença na Web Summit em busca de financiamento e para avaliar a cidade de Lisboa como possível localização do negócio, dizem à Lusa os cofundadores.
Criada por dois bielorrussos, Dennis Galka, presidente executivo (CEO) da ‘startup’ com sede nos Estados Unidos, e Olga Neudakh, ‘Chief Medical Officer’ e psiquiatra, a Sequoia é uma aplicação dirigida a homens e à sua saúde sexual.
A presença na Web Summit, aquela que é considerada a maior cimeira de tecnologia do mundo, decorreu de “conselhos de amigos”, que destacaram o evento e a própria cidade de Lisboa como uma oportunidade a não perder, explica Dennis Galka.
Em primeiro lugar, o objetivo da presença em Portugal é “uma nova conexão” com os portugueses, depois “novos parceiros e angariação de fundos”, refere.
“Estamos a escolher um país onde possamos localizar o nosso negócio”, prossegue Olga Neudakh, precedida de Dennis Galka que aponta a Europa como região eleita.
Isto “porque alguns dos nossos amigos têm ‘startups’ já aqui [em Lisboa] e recomendaram-nos fortemente vir à Web Summit”, sublinha o CEO, que manifesta muito entusiasmado com o ecossistema tecnológico da capital portuguesa.
Lisboa “é um local onde a Sequoia espera poder localizar o seu negócio”, porque “há muito boas condições aqui”, insiste, elencando a “atitude do Governo, os vistos, apoio jurídico e mesmo financiamento”.
Além disso, acrescenta Olga Neudakh, o Governo português “está interessado no sistema de saúde”.
Sobre a aplicação, Galka admite que “não é fácil para os homens falar sobre temas sexuais” e, muitas vezes, deixam passar “muito tempo” até recorrer a um médico.
Perante isto, “desenvolvemos a Sequoia, uma aplicação no telemóvel onde qualquer homem pode monitorizar e melhorar a sua saúde sexual e o seu desempenho sexual de forma completamente anónima”, garante o CEO, referindo que esta solução foi lançada em maio, conta com uma “equipa de seis médicos” e tem atualmente “mais de 7.000” utilizadores com a aplicação instalada.
Para Olga Neudakh, esta aplicação visa também mudar “o paradigma” sobre a saúde sexual dos homens.
A ‘app’ tem artigos sobre saúde dos homens, além de que a prórpia Sequoia tem uma parceria com a United Nations Population Fund, refere Dennis Galka.
“Temos recomendações gerais” na ‘app’, as quais são “feitas gratuitamente”, enquanto as personalizadas são por subscrição (pagas).
E como é que funciona? “Os utilizadores vão à ‘app’, respondem a um teste, o algoritmo médico analisa a informação e manda-lhe um relatório sobre como melhorar a sua saúde, exercícios físicos, técnicas de relaxamento, meditação e cuidados a nível sexual”, continua.
Este é um segmento “com grande potencial”, afirma, referindo que um estudo de 2021 apontava que o mercado relativo à disfunção sexual nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália “era de 3.000 milhões de dólares”.
E este número, sublinha, é uma estimativa, não há dados concretos.
Atualmente, a aplicação está disponível em todo o mundo, em inglês, russo e bielorrusso.
“No futuro vamos ter em português, espanhol, francês e alemão”, adianta, referindo que é uma questão de “meses” até existir a versão portuguesa.
Questionados sobre se têm sentido dificuldades no negócio, por terem o serviço disponível em russo ou bielorrusso, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, Dennis e Olga admitem que sim.
“Enfrentamos algumas barreiras por sermos bielorrussos, por isso mudámos a propriedade da empresa e a sede”, conta Dennis Galka, sublinhando que são “pessoas normais” que nada têm a ver com a guerra, mas estão conscientes do “impacto” que isso tem.
O projeto arrancou com investimento do “bolso” dos dois fundadores e agora estão a angariar cerca de 500 mil dólares.
“Este montante permite-nos atingir o ‘break-even’ [equilíbrio operacional] no primeiro trimestre de 2024 e, depois disso, começarmos a gerar receitas para os nossos investidores”, conclui.
