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Nova peça sonora de Matthias Puech estreia esta sexta-feira no gnration

Matthias Puech não é nenhum estranho no mundo da música gerada por computador, dos sintetizadores modulares e do software sonoro. Chega ao gnration a 8 de novembro para a estreia de Créature, uma peça eletrónica, interpretada por um conjunto de criaturas digitais.

Um cartógrafo do invisível, Matthias Puech foca-se na criação de ecossistemas artificiais, onde habitam diferentes sons que interagem e relacionam-se entre si. Na matemática e na ciência, os sistemas complexos descrevem estruturas que vão desde softwares à organização em sociedade. A adaptação, a não linearidade e a espontaneidade são ideias centrais desta teoria que Puech transpõe para a música, procurando fazer emergir vida dos sons e da informática.

Criada para um ensemble de entidades autónomas que produzem sons sintéticos – as “criaturas” de Matthias Puech –, Créature é uma composição sonora generativa, que será apresentada num sistema de som em octofonia, através de oito canais áudio. Abandonando a intenção tradicional da composição, o artista francês permite que estas criaturas binárias deambulem incontrolavelmente à mercê da aleatoriedade, seguindo os seus próprios caminhos. O resultado é uma performance dinâmica e inesperada, onde as entidades procuram simular a vida em todas as suas formas.

Compositor, investigador e criador de instrumentos, a relação de Matthias com a tecnologia musical vem do início da adolescência, quando começou a participar em sessões de formação para descobrir os softwares desenvolvidos pelo IRCAM – Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique (em português, Instituto de Pesquisa e Coordenação em Acústica/Musica), um instituto ligado ao Centro Pompidou, focado na investigação acústica e na ciência sonora, que está na vanguarda da programação aplicada à música.

Como compositor, edita, desde 2017, discos ambient e de música experimental em que desenha paisagens sonoras através da junção de gravações de campo com música gerada por computador.

Destacam-se Alpestres (2018) – masterizado por Lawrence English e que usa gravações captadas nos Alpes –, A Geography Of Absence (2021) e mais recentemente Mt. Hadamard National Park (2023). Apresentou ainda performances em locais como Cafe OTO (Londres, Reino Unido), GRM Akousma (Paris, França), Louvre-Lens (Lens, França) Sonic Acts (Amesterdão, Países Baixos), Kaserne (Basel, Suíça) ou Elektrosmog (Mannheim, Alemanha).

Atualmente, Puech é responsável pelo desenvolvimento das GRM Tools, um conjunto de plugins de processamento de som do GRM – Groupe de Recherches Musicales, um grupo de investigação na área do som e da música eletroacústica, que está sob alçada do Instituto Nacional do Audiovisual (INA), de França. Créature, a obra que apresenta no gnration, foi desenvolvida ao longo de 2023 e 2024 utilizando unicamente os programas que estava a escrever para o INA GRM.

Matthias Puech desenvolve ainda instrumentos de síntese modular, como o Ensemble Oscillator – em colaboração com a empresa norte americana 4ms – e Mutable Instruments Parasites, uma série de firmwares de acesso-livre, para sistemas Eurorack. Os seus instrumentos e softwares são utilizados por artistas em todo o mundo e serão o foco da masterclass BMA lab: Inventar Música, Compor
Instrumentos, promovida pelo Circuito – Serviço Educativo Braga Media Arts no dia a seguir à estreia de Créature, às 10h00. Esta atividade será em inglês.

Também a 9 de novembro, a partir das 15h00, o gnration recebe a conferência Sobre Arte, Agência e Inteligência Artificial, promovida pela Braga Media Arts em parceira com o Institut Français e inserido nos programas do MaisFrança e no festival internacional Novembre Numeriques. Esta conferência, conta com a apresentação Machine as Creator? do filósofo e jurista francês Morgan Morcel, especialista no enquadramento jurídico de direitos de autor quando aplicados a obras criadas por máquinas. Segue-se uma mesa-redonda que contará com intervenções de Matthias Puech e Morgan Morcel, e que será moderada pela professora, investigadora e curadora Ana Carvalho. Esta conferência será totalmente em inglês, a entrada é gratuita e está aberta a todos.

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