O Presidente do Município de Amares, Manuel Moreira, procedeu, este sábado, à entrega do Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda, a João Barreto Guimarães, pela obra: “Aberto Todos os Dias”, de (Quetzal, 2023). A publicação foi a vencedora da quarta edição do prémio literário.
“Quando há 8 anos abraçamos este projeto questionávamo-nos sobre a melhor forma de homenagear o poeta Sá de Miranda e a melhor forma de lhe prestar homenagear foi, sem dúvida, através deste prémio”, começou por referir, Manuel Moreira, Presidente do Município de Amares. “Mais do que o valor monetário do prémio, que tem naturalmente a sua relevância, é a mensagem que queremos transmitir em termos culturais: a de valorizar este grande homem das letras. É esse o nosso verdadeiro objetivo”, sublinhou. “Espero que Amares continue a investir na cultura, mantendo-se fiel à sua história e ao seu património”, concluiu.

O Diretor do Centro de Estudos Mirandinos, Sérgio Guimarães de Sousa, frisou que era com com “enorme satisfação” que presidia este e outros prémios literários. “ É talvez na minha vida académica uma das maiores satisfações premiar os melhores, aqueles que realmente valem a pena e, felizmente, temos conseguido premiar os melhores”. Referindo-se ao autor e obra em particular, destacou a forma como a de poesia de João Barreto Guimarães consegue “ser capaz de usar modalidade expressiva do discurso lírico e a linguagem delicada e intimista, na sua mais pura beleza, ao serviço de um quotidiano”. O João Barreto é “capaz de nos reapresentar o mundo na sua banalidade de uma forma surpreendente e isso é forca dos autores universais”, enalteceu.
” Escrevo aquilo que gostaria de ler”
“A atribuição deste prémio à minha obra é surpreendente porque acaba por cumprir aquilo que era uma intenção secundária à sua escrita. A intenção primária é egoísta: eu escrevo para mim. Eu sou um leitor voraz de poesia e agora de tetro também e acho que quem é assim acaba por escrever aquilo que gostaria de ler. Eu escrevo aquilo que gostaria de ler”, confessou João Barreto de Guimarães.
“Desde o início que percebi que era sobre o que me rodeava que tinha que escrever, apresentar a banalidade com algo que nos provoca assombro como se fosse visto pela primeira vez”, rematou, dizendo que é um trabalho “de um esforço enorme que tem que ser balizado por uma austera tesoura para que possa surpreender”.

O Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda tem o valor pecuniário de 7.500 euros e é promovido bienalmente pela Câmara Municipal de Amares, através do Centro de Estudos Mirandinos, com o intuito de homenagear e divulgar o poeta e humanista Francisco de Sá de Miranda, bem como incentivar a criação literária no domínio da poesia. A edição deste ano contou com mais de 200 obras participantes.
A entrega do Prémio Literário decorreu na Pousada de Amares, em Santa Maria de Bouro, e foi abrilhatada por um trio de clarinetes da Banda Filarmónica de Bouro.
