Amares

António Variações: livro sobre autor da canção Guerra Nuclear apresentado em Fiscal

A Junta de Freguesia de Fiscal (Amares) acolheu no sábado de manhã (28 de fevereiro), a apresentação do livro Toninho, o Fantástico Variações, da autoria de Fabíola Lopes, na presença de objetos pessoais do cantor e autor da canção Guerra Nuclear, constituindo um momento emocionante e de saudade num dia em que o mundo assistiu a ofensivas militares, por exemplo, entre Estados que possuem ogivas nucleares.

Nas intervenções proferidas, o coordenador da Comissão Promotora de Homenagem a António Variações (2018-2026) – CPHAV (2018-2026), Carlos Dobreira, lembrou o momento em que o ainda “Presidente da República Portuguesa referiu o lugar de Pilar na cerimónia de atribuição da Comenda da Ordem do Infante D. Henrique – grau Comendador ao cantor, ocorrida no palácio de Belém em novembro de 2020, constituindo uma homenagem comovente, ao homem do povo nascido num recôndito lugar do Portugal rural, onde se labutava diariamente numa família de 10 irmãos”.

“Nestes tempos de mudança, o seu legado é atual pelo seu humanismo, pela solidariedade, pela defesa do pacifismo sendo certo que estaria na dianteira da luta pela preservação do planeta, pela ecologia e a paz. A sua vida e obra é importante para o país e o mundo, em particular as crianças, jovens e para quem nos governa. O cantor tinha perfeita noção de que o país estava a mudar, mas já com injustiças flagrantes, hoje facilmente constatáveis, por exemplo, com gastos supérfluos e chocantes em Braga, ao mesmo tempo que cidadãs e cidadãos dormem ao relento, não tem eletricidade e teto nas suas casas após as depressões de janeiro e fevereiro”.

O coordenador da CPHAV (2018-2026) aproveitou o ensejo para dar a conhecer a sua estupefação face ao desconhecimento que tem constatado no concelho de Amares em relação à vida e obra de António Variações.

O Presidente da Junta de Freguesia de Fiscal, Duarte Ribeiro, proferiu uma intervenção sentida considerando o cantor “um português ilustre, um artista maior da cultura nacional e um orgulho imenso para a nossa terra que o viu nascer. Este momento histórico é ainda mais enriquecido com a presença de objetos pessoais do cantor, alguns dos quais estarão expostos no futuro Museu ou Centro Interpretativo dedicado a António Variações. Lutaremos para que esse espaço venha a ser uma realidade. Contamos com o apoio de todas e de todos para honrar a memória de António Variações, símbolo maior da nossa freguesia e do nosso concelho”.

Na intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Amares ressaltou o compromisso na concretização do Centro Interpretativo António Variações (CIAV) evocativo do cantor, tendo ouvido da família, representada nesta cerimónia por três irmãos, da disponibilidade em doar o espólio em posse ao CIAV. O autarca vincou estar ali para “falar do futuro” e “do lado das soluções”. “Temos de dar passos em frente, todos. Queremos dar andamento ao projeto. Esta é uma marca importante para o concelho. Passos certos e seguros com família, comissão, junta e camara”, aludiu o autarca.

A anteceder a autora do livro, o irmão do cantor, Carolino Ribeiro, revelou a sua alegria e gratidão pelo momento recordando os discos do irmão que continua a ouvir, entre eles, os de Amália Rodrigues e David Bowie, o cuidado e o amor para com os irmãos, a sua mãe e o seu pai. Nas suas palavras, António era uma “figura especial” que “continua a interrogá-lo.” Recordou que o irmão era um visitante assíduo da Feira da Ladra (Lisboa) onde comprava e recuperava objetos de segunda-mão, artesanato, vestuário, alguns hoje expostos pela primeira vez desde o seu falecimento.

Já Fabíola Lopes apresentou o livro destinado aos mais jovens, na sua opinião, para que a memória do cantor “perdure e porque é merecedor de cerimónias, mas também de estudo e explorações. Um ser tão agregador, tanto na sua vertente artística como pessoal, que encanta inevitavelmente quem no seu universo mergulha.” Agradeceu o apoio incondicional da família e da comissão para a construção do livro que retrata o percurso de vida até aos 12 anos, idade que marcou o início de novas vivências e desembaraços. A professora deu a conhecer o desconhecimento, quase generalizado por parte dos seus alunos, da figura de António, um agregador irresistível, rematando que quem “não gosta de Variações é porque não o conhece”.

A intervenção de Fabíola Lopes foi intercalada com a leitura de extratos do livro, a cargo de Rita Campos, atriz que integra a CPHAV (2018-2026).

No final da apresentação, houve lugar a intervenções do público presente, nomeadamente, de Domingos Gonçalves, fã do cantor dando a conhecer que doará o seu espólio ao futuro CIAV, onde se inclui investigação pormenorizada relativa à vida e obra de António, mas também de Luís Capela, o qual propôs a realização em 2027, no concelho de Amares, de um festival de verão com o nome do autor da canção Gelado de Verão para angariação de fundos a direcionar à conclusão e manutenção do CIAV.

Destaque para os objetos pessoais expostos na Junta de Freguesia de Fiscal, sendo exemplo, o gira discos, o gravador Automatic Cassette Recorder N 2206 Philips, discografia de Amália Rodrigues, David Bowie, Lou Reed, Rod Stewart e Nina Simone, ativista e cantora conhecida como sacerdotisa do soul. Igualmente, menção para perfumes, quadros de várias figuras como Marilyn Monroe e Mata Hari, produtos e utensílios da barbearia É Pró Menino e Prá Menina, tais como o fixador vegetal para o penteado, a navalha da marca Filarmónica Doble Temple, ocre, pó de talco, pentes, navalha de barbear, a mala de barbeiro, os batons, louças e molduras da sua casa e até a manta do seu cadeirão.

A iniciativa resultou de uma parceria entre a CPHAV (2018-2026) e a Junta de Freguesia de Fiscal, com a colaboração da Editorial Novembro e inseriu-se num conjunto de ações da CPHAV (2018-2026) previstas este ano para assinalar os 42 anos da gravação e mistura do álbum Dar & Receber (1984).

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