Terras de Bouro

Passagem da Volta a Portugal em bicicleta pela Mata da Albergaria no Gerês sem público diz ICNF

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) condiciona a passagem da Volta a Portugal em bicicleta na Mata da Albergaria, no Gerês, “a fortes medidas de proteção da biodiversidade”, como a interdição ao público.

A 87.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta decorre entre terça-feira e 16 de agosto, unindo Lisboa e Porto ao longo de 1.388 quilómetros, distribuídos por um prólogo, nove etapas em linha e um contrarrelógio.

A 7.ª etapa, agendada para 13 de agosto e que atravessa o Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), tem gerado preocupação e críticas por parte de associações ambientalistas, que contestam a passagem dos ciclistas, sobretudo pela Mata da Albergaria, concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga.

Em resposta enviada hoje à agência Lusa, o ICNF explica que a autorização para a realização da etapa “foi acompanhada por um conjunto de medidas específicas destinadas a minimizar qualquer eventual perturbação”.

“Nomeadamente a limitação da circulação de veículos de apoio ao estritamente indispensável, a interdição da permanência de público em todo o trajeto que atravessa os setores ecologicamente mais sensíveis do percurso, a exclusão de meios aéreos em áreas de ambiente natural e outras medidas de gestão consideradas necessárias para proteção das espécies, habitats e restantes valores naturais”, indica o ICNF.

Além disso, “foi igualmente recomendada a integração, por parte da organização, de ações de comunicação e sensibilização ambiental, em articulação com o ICNF, que contribuam para a divulgação dos objetivos de conservação do Parque Nacional e do património natural que este alberga”

“O ICNF acompanhará a realização da prova, em articulação com as restantes entidades competentes, de forma a verificar o cumprimento integral das condições estabelecidas e a garantir a salvaguarda dos valores naturais do Parque Nacional da Peneda-Gerês”, sublinha este Instituto.

A 7.ª etapa parte de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela Estrada Nacional 308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem.

O ICNF acrescenta que a decisão “resultou de uma análise técnica e jurídica cuidadosa e aprofundada, realizada no quadro dos procedimentos legalmente previstos, num processo em que a proteção da natureza, dos habitats e das espécies presentes no Parque Nacional constituiu sempre a principal prioridade”.

Este organismo público lembra que o percurso proposto atravessa uma zona com elevado valor ecológico e que, por essa razão, exige especiais cuidados.

“Foi, por isso, analisada não apenas a passagem dos atletas, mas também o conjunto das atividades associadas ao evento, incluindo a circulação de veículos de apoio, os meios aéreos, a presença de público e o ruído”, salienta o ICNF.

A análise concluiu, segundo o ICNF, que o percurso proposto para a etapa coincide exclusivamente com uma via pavimentada já existente, e durante um período muito limitado.

“O troço em causa corresponde a uma estrada onde existe circulação motorizada regular, sem que daí tenha resultado, até à data, qualquer impacte negativo significativo conhecido sobre os habitats naturais, as espécies ou os valores ambientais presentes”, lê-se ainda na resposta.

O ICNF esclarece ainda que do ponto de vista jurídico, o Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês prevê um regime de autorização sujeito à apreciação caso a caso, permitindo avaliar a compatibilidade de cada situação com os objetivos de conservação e definir as condicionantes necessárias para salvaguardar os valores naturais em presença.

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