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Re.store: o ambiente e o social de mãos dadas numa marca que quer conquistar o mundo a partir de Rendufe

Aplicar as premissas da economia circular através da reutilização de desperdícios e sobras têxteis.

Foi numa conferência em Braga que Sílvia Correia teve a ideia de criar um produto inovador numa área que dominava como ninguém. Estava-se em 2018, o nome ‘re.store’ e o logotipo surgiram logo ali. João Andrade surge, entretanto, no projeto e a marca já vendeu mais de quatro mil produtos.

É de Rendufe que a ‘re.store’ parte para o mundo. “O objetivo da marca está assente na reciclagem, reutilização e redução” conta Sílvia Correia ao ‘Terras do Homem’.

“Pretendemos que a ‘re.store’ se afirma como uma marca que contribua para uma mudança de mentalidade e de hábitos no que concerne à preocupação da população para as questões ambientais e para a valorização das competências de franjas da população que têm dificuldades de integração e reconhecimento”.

Responsabilidade social

É que uma das particularidades da marca é a associação da responsabilidade ambiental como a responsabilidade social. “Neste momento temos 12 IPSS associadas connosco, mas apenas seis ativas em Braga, Guimarães e Famalicão” que confecionam os produtos e recebem em média um euro por cada um deles.

“A confeção de produtos é efetuada em instituições sociais/associações ou por indivíduos devidamente sinalizados que possam usar as suas valências nesta tarefa como complemento do seu rendimento ou valorização das suas competências”. O tempo de confeção depende da autonomia de cada utente, mas todos os produtos são integralmente confecionados pelos utentes: “nós fornecemos os materiais em ‘bruto’”.

Segundo Sílvia Correia há um casal de refugiados da Síria a viver em Guimarães, em que ele era alfaiate, a colaborar com a marca. “Cada saco pode ter oito/dez pessoas envolvidas e para eles, é um estímulo fazer parte do todo”.

“A nossa marca pode contribuir para a sustentabilidade financeira dessas instituições ou pessoas porque são integralmente confecionados pelos seus utentes, valorizando também o seu trabalho, a sua autoestima, promovendo a inclusão dos mesmos e remunerando-os por esta tarefa”.

Silvia Correia acrescenta outra vantagem: “quando uma encomenda nos é entregue, nós pagamos logo, assumimos esse risco”. A transparência fiscal é outra das ‘identidades’: “só trabalhamos com que nos possa passar recibo”.

4000 sacos

A primeira encomenda, de 300 sacos, é entregue, em outubro do ano passado, a um grupo de farmácias e no mês seguinte mais 300 chegam à Câmara de Braga no âmbito da semana europeia da prevenção de resíduos.

A re.store já vendeu mais de quatro mil sacos pelo que “já impactámos diretamente mais de quatro mil pessoas em termos de consciencialização”. Todos os fornecedores do projeto são portugueses pelo que o impacto, também, se faz sentir nos agentes económicos. Por outro lado, quatro mil sacos quer dizer quatro mil euros entregues a instituições e/ou pessoas com carências sociais.

Pandemia

Quando surgiu a pandemia, a re.store estava a fazer várias intervenções em escolas, que irão recomeçar no próximo ano letivo, para disseminar os princípios base da marca: economia circular, responsabilidade ambiental e responsabilidade social. “Queremos fazer pedagogia para a mudança”.

Em Abril, houve necessidade de criar a empresa ‘Essential Together’, para gerir a ‘re.store’ fazendo jus ao lema da sua fundadora ‘fazer-acontecer’.

Produtos

A re.store tem vários produtos, a começar desde logo pelos sacos de compras, o primeiro a ser pensado e executado. No portfólio já há bolsas de ‘necessaire’ em felpo, sacos de praia e mais recentemente, bolsas multiusos criadas para proteger as máscaras sociais, mas com outras possíveis funcionalidades.

Tirando estas últimas, todos os outros produtos têm componentes pensados para que tenham o menor impacto possível: a etiqueta de ‘branding’ (que pode ser personalizada) é impressa em algodão orgânico, as alças são confecionadas em tecido de algodão orgânico, a etiqueta ‘re.store’ é feita a partir de fios de poliéster reciclados e a etiqueta do conceito é feita a partir de desperdícios de algodão e sementes de plantas que pode ser plantada.

Os produtos podem ser adquiridos no site da marca e estão inseridos no catálogo do cartão das farmácias portuguesas.

Futuro
“Mudar pequenos mundos em Portugal e no estrangeiro”. É este um dos objetivos de Silvia Correia para os próximos cinco anos., “sensibilizando as pessoas para a importância da mudança de hábitos de comportamento para com o Ambiente e para com as pessoas diferentes, via inclusão”.

Site
A loja de venda online www.restorebycz.pt foi lançada a 01 de junho e, na sua curta existência, para além do território nacional, já conta também com vendas para Espanha, Itália e Suíça.
Esta é a montra da marca e está disponível em três línguas (português, francês e inglês) para captar clientes em todo o mundo já que a marca faz expedições para todos os clientes que sejam amigos do ambiente e das pessoas.

Estudo académico
A marca re.store está a ser objeto de estudo no trabalho de final de curso de um estudante da Escola de Engenharia de Lausanne, no âmbito da sua tese final de curso. O trabalho será apresentado em setembro.
“As temáticas sobre a economia circular, responsabilidade social e ambiental e a possibilidade de internacionalizar a marca com foco na diáspora portuguesa, suscitaram no aluno e na comunidade académica que validou a marca e aquilo que ela advoga para a própria instituição”, revela Sílvia Correia.

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