Ano letivo (completamente) novo

Ano letivo (completamente) novoÀ porta de um novo ano letivo sinto, relativamente aos outros trinta e quatro já vividos, que este é, realmente, novo. Nunca, até hoje, organizar e programar tiveram um sentido tão lato. Programar significa projetar, delinear, prever, e neste momento projetar e prever, implica tantas variáveis que nos resta ir programando o dia a dia em função e de acordo com o que for possível.
Nas escolas, diretores e suas equipas, coordenadores de departamento, assistentes técnicos e operacionais, coordenadores de clubes e grupos disciplinares, diretores de turma e…simples professores, andam numa azáfama para que as normas da DGS sejam cumpridas. Temos uma grande “vantagem” relativamente a outros serviços, pois a benesse da DGS na junção das palavras “se possível”, no que a distanciamento se refere, fornece-nos enorme margem de manobra. Percebemos que a tutela da SAÚDE conhece tanto do funcionamento das escolas como nós, professores, conhecemos o funcionamento dos hospitais.
Atendendo a todas as preocupações existentes dentro dos espaços escolares, com percursos diferenciados e intervalos separados, bem como a separação (início de aulas desfasadas) na entrada (e saída) dos alunos na escola, o grande problema surgirá no que os alunos possam fazer no espaço exterior enquanto aguardam momento de entrada na escola ou esperam autocarros na saída. Se não houver da parte dos alunos e respetivos encarregados de educação, uma preocupação acrescida nestes tempos mortos fora da escola, aquilo que se pretende com o desfasamento dos horários pode ser, infelizmente, potenciador do que se pretende evitar.
Devido ao incómodo gerado pelas máscaras, e a exemplo do acontecido nos exames, devemos sugerir aos alunos que levem uma garrafa de água para as salas de aula para se irem hidratando e…de quando em vez, poderem respirar melhor. Mas nem tudo é mau e eu vejo sempre o copo meio cheio. Sendo as máscaras incómodas, estou a imaginar nos alunos um gosto acrescido pela disciplina de educação física onde as aulas decorrerão sem as ditas. E na nossa disciplina, já me estou a imaginar, qual D. Nuno Álvares Pereira, ele contra espanhóis, eu contra o COVID, a usar a tática do quadrado para cumprir as normas da DGS mantendo os alunos a três metros uns dos outros para impedir a propagação do vírus. Quando se mexerem, o principal objetivo será, NUNCA desfazerem o quadrado, realizando sincronamente os exercícios solicitados. Trabalho coordenativo levado ao extremo.
Outra das vantagens é que teremos menos preocupações na questão da aglomeração em torno da bola nos jogos desportivos coletivos e os alunos terão muito mais possibilidades de fazerem valer os seus dotes técnicos, pois com adversários a 3 metros, dificilmente perderão a posse de bola.
Concluo pedindo a todos os envolvidos no processo, alunos, professores, pais e assistentes, uma enorme dose de bom senso pois, tenho a sensação que com todos estes cuidados levados ao extremo, poderemos sobreviver ao vírus, mas estamos em risco de deixar de viver realmente.
Caros alunos e pais…até já.

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