No âmbito da comemoração dos 95 anos de nascimento do poeta e músico pradense Adolfo Fernandes Pinto da Lousa foram criados um blog: https://adolfofernandespintodalousa.blogspot.com/, uma página no Facebook: Adolfo Da Lousa e uma página no Instagram: adolfodalousa, afim de divulgar a sua vida e obra.
Estas comemorações terminam no domingo, dia 27 de Junho, às 12h00, com uma missa de ação de graças celebrada pelo Padre João Alberto Sousa Correia, na Igreja Paroquial da Vila de Prado. Os cânticos desta eucaristia ficam a cargo do Grupo Coral Assanes.
Durante a mesma eucaristia o salmo será cantado pela sobrinha-neta de Adolfo (como lhe chamavam os Pradenses) e o seu sobrinho-neto irá ler um poema da autoria do Poeta, no momento da ação de graças. No final da missa, os familiares e amigos mais próximos farão uma romagem até ao cemitério para deixar um ramo de flores na sua sepultura, como símbolo de homenagem e agradecimento.
O poeta e músico pradense (de nome próprio Adolfo Fernandes Pinto; Lousa é o Lugar da Vila de Prado onde viveu a maior parte da sua vida), nasceu em 16 de Junho de 1926 e faleceu em 30 de Janeiro de 2001.
“Este poeta e músico, paraplégico desde a idade dos dois anos, devido a uma paralisia infantil, teve um percurso exemplar e paradigmático, visto que ultrapassou as imensas dificuldades da sua deficiência física e pôs-se ao serviço dos outros, dando explicações, bem como aulas de viola, violino, bandolim, cavaquinho, viola braguesa e todos os instrumentos de corda, totalmente gratuitas, a todos quantos queriam aprender. Daí que, a sua querida Casa da Lousa, ainda continuar a ser chamada e (re)conhecida por muitos como ‘o primeiro Conservatório de Música da Vila de Prado'”, refere uma nota à imprensa.
Mas não parando por aí, Adolfo da Lousa, como era conhecido, também escrevia poesia e colaborava em vários jornais do concelho de Vila Verde, Braga, Ponte de Lima, Viana do Castelo, etc.
Dos muitos poemas escritos, alguns foram publicados em 1999, no supra referenciado livro Vozes da Nossa Terra.
Aquando do lançamento deste livro (1999), também lhe foi organizado um jantar de homenagem, que conseguiu reunir grande parte dos seus numerosos amigos, muitos destes espalhados pelos quatro cantos do mundo, bem como autoridades civis, militares e religiosas.
Após o seu falecimento, e a título de reconhecimento por tudo que fez pela sua terra natal, uma das ruas da Vila de Prado adotou o seu nome.
Pode ler-se na proposta de atribuição do seu nome a uma rua da Vila de Prado o seguinte: “… Passou toda a sua vida nesta freguesia mas a sua maior parte foi vivida no Lugar da Lousa em casa da família. Foi aí que desenvolveu uma ação meritória com várias gerações, de jovens a quem ensinou a desenvolver o gosto pela música e a tocar viola, bandolim, cavaquinho, violino e todos os instrumentos de corda, sem nada pedir em troca. Nestes momentos incutiu nos jovens valores sociais e morais que muitos aproveitaram. Foi, também, aqui que o seu estro poético produziu muitos dos seus poemas com especial relevância para os que versavam sobre a sua terra amada. São, de facto, inúmeros os poemas dedicados à Vila de Prado através dos seus topónimos, gentes, costumes, tradições ou lendas, constituindo, assim, um referencial cultural inestimável e merecedor de todo o nosso apreço. Personalidade ímpar que cantou a sua amada terra como ninguém. … Ficou para a posteridade o seu livro de poemas “Vozes da Nossa Terra” (1999). Personagem conhecida de todos os pradenses pelas suas deambulações pela freguesia, Adolfo Fernandes Pinto deixou imensa saudade e é merecedor da nossa estima colectiva …”.
Poema
A Alma do Poeta
“O poeta foi criado por Deus para interpretar a Sua obra”
A alma dum poeta
É de rara subtileza:
Sente a vida da Humanidade
E o poder da natureza.
Vive como um asceta,
Cantando a fé e a saudade;
Narra a beleza dos céus,
Sofre do povo a maldade
E sublima o amor de Deus.
Adora a tristeza e alegria,
Escreve, sorri e chora,
Pede o pão de cada dia,
Para os que a fome devora;
Almeja para todos perdão,
Justiça, paz e ventura,
E quando chega o seu fim,
Só deseja uma oração
E um ramo de jasmim
Sobre a sua sepultura.
(Do seu livro Vozes da Nossa Terra, edição da Junta de Freguesia da Vila de Prado, 1999, p.113).
