JO de Paris são…daqui a três anos

Enquanto por Tóquio os nossos atletas dão o melhor de si em prol de uma nação (poucas vezes) valente, por cá, gente que nunca deve ter suado minimamente é, apenas e só, maldizente. De 4 em 4 anos (desta vez foram 5) abre-se discussão nacional acerca dos resultados obtidos nos JO e avaliam-nos em função do medalheiro. O problema, mesmo, é que muitos dos que exigem um medalheiro bem composto são os que antes se recusam partir o mealheiro para apoiar quem dedica a sua vida ao desporto.

Em Portugal para se ser atleta de alto rendimento e se poder aspirar aos campeonatos mundiais e JO, os pais são, maioritariamente, os principais financiadores dos putativos atletas. A título de exemplo veja-se como começaram a evoluir para resultados de excelência, os nossos representantes no judo, natação, surf, ténis, skate, ciclismo, canoagem, remo, atletismo, ginástica, taekwondo, entre muitos outros.

Em países a sério, que pensam o desporto como forma de aumentar a qualidade de vida das populações ou/e como forma de investir em resultados de relevo internacional, há uma aposta séria no desporto desde idades precoces, porque lá também devem conhecer o ditado “de pequenino se torce o pepino”. Leiam o que tem dito o presidente do COP, prof. José Manuel Constantino acerca dos apoios que este (e outros) governo(s) (não) têm dado ao desporto, bem como daquilo que (não) está previsto destinar-lhe com os € chamada bazuca europeia. É, no mínimo, assustador que os nossos governantes – desde sempre – ainda não tenham percebido que apostar no desporto desde tenras idades é um investimento com retorno garantido e, infelizmente, só se lembrem deste quando é para receber as delegações que se aprestam a ir, ou regressam, de grandes competições.

Invista-se forte na formação, dêem-se condições aos atletas de excelência para continuarem a dedicar a sua vida ao desporto, como forma também de incentivar outros, e, por fim, valorizem-se convenientemente os resultados obtidos. Aborrece-me sobremaneira que imprensa e poder político – alguns com diplomas pouco sérios – desdenhem os diplomas olímpicos conquistados por meritocracia que advém de estarem entre os melhores oito atletas mundiais.

Srs. jornalistas, a Catarina Costa no Judo e a Yolanda no surf, não falharam medalhas. Mostraram, isso sim, integrar o TOP 5 mundial nas respetivas modalidades. O Gustavo também obteve um diploma por estar entre os oito melhores do mundo no skate. O João Almeida não falhou a entrada no TOP 10 de ciclismo de estrada. Ele foi, o 13º melhor a nível mundial. A Telma Monteiro, no judo, não falhou. Ela anda, como o Emanuel Silva, há mais de 20 anos a representar o país num nível de excelência. A Filipa Martins não falhou na Ginástica. Como muito bem diz o seu treinador, José Ferreirinha, ela esteve entre as 80 melhores ginastas a nível mundial.

Se querem falar (e escrever) com conhecimento, façam como eu, ouçam, leiam e interpretem convenientemente o que dizem os atletas olímpicos, respetivos treinadores e o presidente do COP. Até porque, Paris é já daqui a três anos.

 

Carlos mangas [Professor de Educação Física]

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