A casa que acolhe a Loja Oficina, situada na Rua da Rainha D.ª Maria II, já foi de Alberto Sampaio, um dos homens fundamentais do século XIX em Guimarães. Para além do núcleo expositivo permanente de objetos e fotografias que nos convocam para o encontro com o historiador (que pode ser visitado neste Loja desde 2019), entre os meses de junho e setembro A Oficina organiza percursos pela cidade em busca dos lugares que marcam as suas memórias.
Serão quatro as incursões pelos “Lugares de Alberto Sampaio” em Guimarães. A primeira acontece já este domingo, 12 de junho, mas estão programadas outras oportunidades a 17 de julho, 14 de agosto e 11 de setembro. A proposta é calcorrear o centro da cidade, em busca dos sítios que, há quase dois séculos, foram cenários de acontecimentos da geografia afetiva, social e intelectual de Alberto Sampaio.
A participação tem um custo de 2 euros, mediante marcação prévia com, pelo menos, 48 horas de antecedência, através do e-mail loja@aoficina.pt ou do telefone 253 515 250. O ponto de encontro está marcado para as 11h30, na Loja Oficina, casa onde em 15 de novembro de 1841 nasceu Alberto Sampaio.
O percurso inicia-se a dois passos da Loja Oficina, no Largo da Oliveira, onde se ergue a Igreja da Nossa Senhora da Oliveira, classificada como Monumento Nacional. No seu interior podemos observar a pia batismal junto à capela da Torre dos Sinos, onde o pequeno Alberto Sampaio recebeu o batismo. Saímos da igreja para continuarmos a percorrer os espaços da extinta Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, readaptados a um museu de arte sacra no ano de 1928, o Museu de Alberto Sampaio. A envolvência deste lugar com séculos de História, não deixa indiferente quem o visita.
Pela entrada lateral do edifício do Museu de Alberto Sampaio, iniciamos o percurso pedonal do Adarve da Muralha que percorre toda a Avenida Alberto Sampaio, com saída pela porta lateral da Muralha, na Câmara Municipal de Guimarães.
Usufruindo de um enquadramento patrimonial e paisagístico verdadeiramente excecional, observamos o desenvolvimento urbanístico da cidade desde a cerca do seu primeiro mosteiro, ladeado pelo casario medieval, confrontando o Paço dos Duques e o Castelo, até à montanha da Penha.
De volta ao centro histórico, impõe-se uma paragem na Casa de Sarmento, onde o jovem Alberto Sampaio entrou, pela primeira vez, pela mão do seu tio Gaspar, amigo de Martins Sarmento. A imagem desse encontro ficaria para sempre gravada na memória do historiador, com quem o sábio arqueólogo viria a construir uma sólida relação de amizade e trabalho.
Seguimos até ao Largo dos Laranjais para admirarmos o monumento a Alberto Sampaio, inaugurado em junho de 1956. No bronze do escultor António de Azevedo, enquadrado por cantaria granítica, permanece perpetuado o tributo das gentes de Guimarães ao homem que tanto trabalhou para engrandecer a terra que lhe deu o berço e que tão bem soube revelar o seu Minho natal.
Encaminhamo-nos, depois, para a Rua de Santa Maria ao encontro do Palacete de Santiago, na Praça de S. Tiago. Se recuássemos aos anos setenta do século XIX, veríamos neste edifício instalado o Banco de Guimarães, onde trabalhou, durante cinco anos, como guarda-livros, Alberto Sampaio.
Atualmente, é uma extensão do Museu que leva o seu nome. Percorrendo mais alguns metros até ao Largo da Misericórdia, avistamos a Casa do Terreiro, comprada, em 1815, pela avó materna de Alberto Sampaio. Apesar de hoje ser sede de uma associação cultural e recreativa, a casa conserva ainda a sua traça primitiva, tal como a conheceu o historiador quando visitava os avós, tios e primos.
Ao dobrar da esquina já vislumbramos o Largo do Toural, considerado o “coração” e ex-libris da cidade. São necessários ainda alguns passos mais para chegarmos à Sociedade Martins Sarmento, fundada em finais de 1881 por um grupo de amigos de Martins Sarmento, entre os quais se incluíam os irmãos Sampaio, José e Alberto.
Já muito perto do final do percurso, encontramos o Palácio Vila Flor, palco da 1.ª Exposição Industrial de Guimarães, organizada pela Sociedade Martins Sarmento, em 1884, sob a direção técnica de Alberto Sampaio. O sucesso então alcançado com a exposição, que extravasou largamente o concelho de Guimarães, uniu todos os vimaranenses num enorme aplauso ao seu obreiro principal.
Hoje como ontem, ao percorrer os seus lugares, também nós reverenciamos o pensador ilustre e cidadão exemplar para quem: “Fazer pensar é tudo; e a agitação a única alavanca que pode deslocar este mundo: pois que agitar quer dizer – instruir, ensinar, convencer e acordar”.
