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Rodrigo precisa de ajuda mas viu fundos serem desviados por rede de burla

Rodrigo tem 9 anos e, quando tinha apenas um ano, foi diagnosticado com Distrofia Muscular de Duchenne, uma mutação genética sem cura conhecida, que provoca a perda progressiva da força muscular.

Para ajudar na sua deslocação, uma vez que a autonomia de Rodrigo começou a desaparecer e a necessidade de apoio passou a ser constante, o menino precisa de uma cadeira de rodas adaptada, que custa 8 mil euros. Por isso, os pais criaram uma angariação de fundos.

O problema foi que campanha de solidariedade foi alvo de uma rede de fraudes que se multiplicou em poucos dias

O caso foi contado ontem, pela SIC. De acordo com o canal, a burla vitimou não só Rodrigo como muitas pessoas que pretendiam ajudar.

Além dos donativos perdidos, a rede criou cerca de duas dezenas de páginas falsas com o nome de Rodrigo e até manipulou vídeos do menino com a ajuda da Inteligência Artificial (IA).

25 mil euros para cadeira de rodas, adaptação da casa e carro adaptado
A campanha de recolha de donativos dos pais de Rodrigo pretendia angariar 25 mil euros: cerca de 8 mil destinados à cadeira de rodas, os restantes para adaptação da casa e aquisição de um carro adequado.

À SIC, o casal revelou que a solidariedade das pessoas foi imediata. Porém, a mesma veio acompanhada da maldade.

Mais de 17 páginas falsas e muitos donativos desviados
Começaram a surgir relatos de pessoas que acreditavam ter ajudado Rodrigo, mas que viam os seus donativos desviados para contas desconhecidas.

“Começámos a ser bombardeados com mensagens de pessoas a dizer que tinham sido burladas”, contou o pai de Rodrigo, João Fernandes, ao canal de televisão.

As contas com o nome da criança no Facebook, Instagram, TikTok e em sites proliferaram. Só numa manhã, a família identificou 17 contas falsas.

Nelas constavam vídeos também falsos, feitos com IA. Alguns utilizavam a imagem de figuras públicas, como Manuel Luís Goucha. Outros o próprio Rodrigo, mas com uma voz e palavras que não eram dele.

“É assustador. É tudo falso. O Rodrigo não fala daquela forma”, lamentou o pai ao canal de televisão.

Empresas suspeitas
A origem da burla e os responsáveis pela mesma não são conhecidos. Porém, a SIC revela pelo menos dois nomes associados ao esquema.

Uma é a Perky Task, uma empresa sediada em Braga, “numa rua que existe, mas o número da porta não”.

O dono da empresa chama-se Jhonn Wayne Souza e assegura que também é uma vítima da situação.

A empresa, segundo o canal de televisão, “faz a ligação entre quem quer comprar online e quem quer vender”, ou seja, cede a conta bancária para receber o dinheiro dos clientes (neste caso, doadores), fica com uma comissão e entrega-o depois ao destinatário.

Jhonn garante que quando soube o que se passava congelou o valor que o site falso recebeu e agora quer entregar o mesmo a Rodrigo. Mas esta está longe de ser a única reclamação da Perky.

Já o outro nome associado às transações que não foram ter a Rodrigo é Jaimir Barbosa, ligado a estruturas como a Larea, uma suposta loja online e também um site de pagamentos eletrónicos.

Ao canal de televisão, Jaimir Barbosa afirmou desconhecer a dimensão do esquema, mas reconheceu surgir como entidade associada aos pagamentos. Admitiu, ainda, a intenção de dar o dinheiro a Rodrigo, apesar de não ter noção do total envolvido.

A família recusa receber o dinheiro de pessoas que foram enganadas. “Sinto-me muito mal porque sinto que temos muitas pessoas boas em Portugal que querem ajudar e acabam por ser burladas também”, lamentou.

Pelo menos para já, não se sabe quanto dinheiro os burlões conseguiram arrecadar às custas de quem quis ajudar Rodrigo. Talvez um dia, as autoridades saibam responder a isso.

Para já, os pais decidiram encerrar todas as páginas relacionadas com a angariação de fundos. Apenas “O Mundo do Rodrigo” no Instagram e no Facebook, continua a funcionar e é verdadeira. Donativos só aceitam agora para a conta bancária que está em nome do menino.

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